Psicologia Cristã, @Marisa_Lobo e a Psicoterapia para Homossexualidade

Autor: Alessandro Vieira dos Reis*
Editora: Shirley Galdino

Há alguns meses me perguntaram via twitter o que eu achava do trabalho de uma psicologa chamada Marisa Lobo. Confessei nunca ter ouvido falar, e ela me foi apresentada pela seguinte descrição: “Ela usa da Psicologia Cristã e fala da cura de homossexuais”. Outro comentário me chamou a atenção: “Ela é uma versão feminina do pastor Silas Malafaia, que também é psicologo”. Curioso, fui checar do que se trata.

O conteúdo deste post é o resultado das minhas investigações sobre a obra de Marisa Lobo. No texto tratarei das bases teórico-metodológicas da chamada “Psicologia Cristã” e discutirei suas práticas, em especial quanto a ética e eficácia técnica da terapia para “cura da homossexualidade”. Nas considerações finais faço um alerta à comunidade científica relacionada à Psicologia no Brasil quanto à consolidação, por estas bandas, de uma nova modalidade de “Terapia Alternativa”.

Existe uma Psicologia Cristã?

Fiquei intrigado com a tal da Psicologia Cristã. Na minha graduação em Psicologia na UFSC cheguei a conhecer um grupo de cristãos evangélicos praticantes que se reunia uma vez por mês, numa espécie de sessão de terapia, para falar como manter a fé religiosa deles apesar do que aprendiam no curso de Psicologia. Através deles soube que nos EUA havia uma imensa demanda por aconselhamento pastoral, que pode ser descrito uma aplicação das práticas de Counseling em ambientes religiosos (especialmente igrejas evangélicas).

Tanto é que há naquele país pregadores famosos que falam a partir da Psicologia, como Roger Hurding, autor de “A Árvore da Cura” (Vida Nova,1995), que se trata de um manual de psicoterapia adaptada aos preceitos cristãos. O que muitas pessoas chamam de Psicologia Cristã não é um campo de conhecimentos distinto, bem delimitado, mas um conjunto difuso de aplicações dos conhecimentos da Psicologia em ambientes cristãos, filtrados por preceitos morais de uma comunidade específica.

Aliás o Brasil, sendo um país cada vez mais evangélico neopentecostal, possui uma grande e crescente demanda por serviços de psicoterapia e aconselhamento por e para membros de comunidades evangélicas. A psicologa cristã Marisa Lobo não é a única nesse mercado: é apenas a mais famosa, atualmente. E como veremos no final deste artigo, uma espécie de pioneira que tem tudo para ser amplamente imitada !

Psicoterapia para Curar Homossexualidade?

Quando lidamos com a colisão dessa assim chamada Psicologia Cristã (me parece que o mais correto seria falar em psicólogos cristãos), com movimentos sociais GLBT há uma série de assuntos que emerge rapidamente: a patologização, etiologia, tratamento e cura da homossexualidade. Colidem não apenas porque as relações entre mesmo sexo são tradadas ao mesmo tempo como psicopatologia e pecado espiritual, mas porque a instituição Igreja entra em confronto com a instituição Conselho Federal de Psicologia, cujas normativas profissionais estipulam que práticas homossexuais não são patológicas em si mesmas, não sendo cabível ao psicoterapeuta filiado ao Conselho igualar homossexualidade a transtorno psicológico.

Vejamos como se dá esse assunto, parte por parte, pelos assim chamados aqui “psicólogos cristãos”:

a) O interesse afetivo e sexual por pessoas do mesmo sexo é tratado como patologia por conta de preceitos bíblicos tais como este:

E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. (Romanos 1:26-27)

Comportamentos homossexuais não são analisados contextualmente, mas taxados de anti-naturais e perversos em si mesmos. São entendidos como essencialmente pervertidos, e neste caso não se usa a perversão do linguajar psicanalítico, mas do bíblico, que equivale a diabólico.

b) A etiologia, que se trata do estudo das origens de uma doença, da homossexualidade costuma ser atribuída a famílias desestruturadas ou episódios traumáticos na infância, quando se trata de igrejas mais tradicionais, e a opressão espiritual demoníaca, em igrejas neopentecostais;

c) O tratamento costuma variar. Há desde campos e colégios internos onde o indivídio homossexual é isolado para ser ressociabilizado como hétero, passando por aconselhamento pastoral, até formas mais intensivas como a Reversion Therapy (Tratamentos bastante aversivos, que por vezes fazem uso de injeções de hormônios e até mesmo castração química);

d) Quanto a cura, partindo-se da ideia cristã da patologia (espiritual ou social), fala-se da conquista de duas possibilidades: o homossexual abandonar os hábitos que o prendiam nessa condição, adquirindo outros e tornando-se, presumivelmente, hetero por completo; o homossexual viver em celibato, tornando-se socialmente assexuado (modelo mais encontrado entre católicos tradicionais, mesmo entre seus sacerdotes com atração pelo mesmo sexo).


Ética e Eficácia da “Conversão” para a Heterossexualidade

O problema com a ideia da “cura” é que essa parte da premissa que a homossexualidade é um transtorno psiquiátrico, ou algum tipo de doença passível de ser isolada e tratada. O interesse sexual e afetivo por pessoas do mesmo sexo deixou de ser considerado patológico pela Medicina nos anos 1970. Em paralelo, pesquisas como a de Fritz Klein mostraram que a sexualidade não se reduz a sentir atração física, mas envolve afinidades afetivas, fantasias, hábitos sociais, estilo de vida etc., e que todos esses atributos são passíveis de constantes mudanças, adaptações. Ou seja, a sexualidade não é um item fácil de isolar, manipular e modificar, dada sua complexidade. Contudo, mudanças são possíveis e costumam ocorrer de forma espontânea. Em determinadas circunstâncias ou fases da vida desejos e comportamentos homossexuais podem ganhar força em pessoas que se dizem heteros. O inverso também é válido, isto é, pessoas que se julgam homossexuais serem surpreendidas por ímpetos heterossexuais.

O que as “terapias de conversão”, quase sempre promovidas por grupos religiosos, parecem conseguir em termos de “sucesso” é modificar aspectos públicos da sexualidade, como hábitos de vestir, identidade social, estilo de vida e afins, e incentivar o surgimento de fantasias, desejos e preferências emocionais por pessoas do sexo oposto. Isso, contudo, não parece eliminar completamente comportamentos relativos a homossexualidade (como sentir-se especialmente conectado afetiva e sexualmente a pessoas do mesmo sexo, ou com alguma frequência ter fantasias homoeróticas ou românticas com o mesmo sexo).

Sobre a efetividade da suposta “cura da homossexualidade”, vale a pena checar o célebre caso Kirk Murphy. Tratado pelo até hoje celebrado psicólogo cristão Dr. Rekers, que garantiu que o processo foi um grande sucesso, o rapaz nunca teve uma vida normal, segundo a própria família, vindo a se tornar um homem ansioso, inseguro e solitário. Kirk cometeu suicídio aos 38 anos. Para conhecer mais do caso, clique aqui.

A Psicologia Cristã de Marisa Lobo

Depois das considerações iniciais sobre a Psicologia Cristã e sobre o tratamento para homossexualidade promovido por essa, que nem chega a ser uma área da Psicologia propriamente dita, falarei agora sobre um exemplar específico dessa tendência. Falarei da Psicologia Cristã de Marisa Lobo, uma já famosa psicóloga tida por alguns como uma versão feminina do Pastor Silas Malafaia. Para isso consultei o site dela (http://www.psicologiacrista.com.br/), bem como diversos de seus artigos, notícias sobre a profissional, entrevistas.

Originalmente, Marisa Lobo parece ter feito carreira com o tratamento de drogadictos, ajudando-os a superar a mortal dependência de substâncias. Por esse trabalho ela foi bastante reconhecida e prestigiada por políticos, religiosos e outros líderes comunitários. Aliás, a psicóloga continua lidando com essa área, inclusive fazendo palestras regularmente em universidades sobre seu trabalho ajudando drogadictos. Sinceramente, essa parte do trabalho de Marisa Lobo até merece um elogio meu.

O que ocorre é que, em seguida começou a falar cada vez mais contra as práticas dos homossexuais e, num certo sentido, a tratá-los de forma equivalente a dependentes químicos: pessoas que precisam se libertar de maus hábitos e ser reinseridos na sociedade, em condições “normais”. Se bem que a própria Marisa Lobo afirma não fazer tratamento de homossexualidade em seu consultório, apesar dela mesma repetir que são casos patológicos que precisam de cura.

Depois de ler os textos presentes no site da psicóloga, o que mais me chamou a atenção inicialmente foi o que eu não encontrei lá. Eis minhas expectativas frustradas:

- Não há referências detalhadas a pesquisas científicas atuais sobre homossexualidade. Nem a favor e nem contra, ou mesmo neutras. Em uma de suas entrevistas Marisa faz breve menção a pesquisas, mas sem revelar quais são, suas referências, etc. Ela apenas diz vagamente: “Pesquisas dizem que…”, mas não costuma revelar quais pesquisas, feitas por quem, em que contexto, etc;

- Não há teorias filosóficas e/ou científicas sobre a personalidade, a motivação, a aprendizagem, os processos psíquicos, cognitivos, o comportamento, etc. Apesar desses assuntos serem pincelados, nenhuma explicação de como funcionam esses importantes princípios de toda Psicologia é exposta (O que deixa o site inteiro com um jeitão inconfundível de folk psychology);

- Não há materiais de outros psicólogos cristãos, como as sumidades dos EUA que também pregam os mesmos temas. Tudo parece ser pensado e escrito tão somente pela própria Marisa Lobo;

- Marisa se apresenta como psicóloga, mas não expõe seu número de registro no Conselho Regional de Psicologia. Presumo que pelas desavenças severas que ela tem com essa instituição, mas em todo caso o título profissional de psicologa está indelevelmente ligado a esse registro institucional;

Falemos agora do conteúdo do site dela.

Base Teórica

Em todo o site, encontrei apenas 3 referências a teóricos da Psicologia. Todos psicanalistas: Freud e Melanie Klein. Referências à Bíblia são inúmeras. Marisa Lobo faz uma Psicologia Cristã que pode ser descrita como pregação cristã com pitadinhas de psicanálise. As próprias citações de Freud e Klein não são literais, mas paráfrases vagas, do tipo “Freud certa vez disse mais ou menos assim…” (sem revelar em que livro está dito isso, e sem levar em conta desdobramentos do autor e seus seguidores sobre o assunto).

Todos os textos de Marisa Lobo deixam absolutamente claro que a base de sua Psicologia Cristã é mesmo a Bíblia, e não produção clássica ou atual da Psicologia. Uma certa mistura de bases teóricas parece ocorrer em seu artigo “Síndrome de Pinóquio”, onde a psicóloga oferece uma explicação que me soou bastante Comportamental ao hábito da mentira na criança (Misturando com preceitos bíblicos de como resolver o problema). Ou seja, de um lado Marisa cita Freud, por outro, aplica Skinner (de uma forma que me lembrou a Supernanny Cris Poli, que aliás também é uma cristã no mundo da Psicologia, se bem que esta não afirma fazer “Psicologia Cristã”.

Método

Não há muita descrição do método de Marisa Lobo para tratar homossexuais disponível na internet. Só ficamos sabendo que ela se especializou em Sexualidade, Dependência Química, Psicoterapia Breve e escreveu livros sobre educação infantil. Presume-se que o método de Marisa Lobo para tratamento de homossexualidade seja do tipo mais brando: sessões de aconselhamento. Também não ficamos sabendo ao certo se ela trata, pessoalmente, homossexuais ou apenas os encaminha para serem tratados em comunidades locais. Ela, contudo, afirma que não os trata pessoalmente, ao menos não no consultório.

Em seu site, Marisa cita como referência o “Método dos 12 Passos”, do Alcoólicos Anômicos [N. da E.: o Bule já publicou sobre a ineficácia do método do AA]. Isso reforça a sugestão dita anteriromente de que a psicóloga equipara homossexuais a drogadictos. Esse método, contudo, pouco tem de Ciência ou mesmo de Psicologia, uma vez que fundamenta-se em entregar o problema nas mãos de um deus pessoal. Autores como B. F. Skinner chegaram a escrever substitutos para os 12 passos. A tese principal de Marisa Lobo é que a sexualidade é escolha fruto do livre-arbítrio (que aliás, é um conceito teológico cristão e não científico). Por mais que vários determinantes nos levem a determinado desejo, a vivência da sexualidade no presente seria uma escolha pessoal, interior e completamente livre de cada um. Em algumas passagens ela diz  que um homossexual pode escolher se tornar hétero. Mas em outras ela sugere que os não-héteros podem ou devem escolher abdicar da sexualidade, “sublimando” (termo psicanalítico) seus desejos através da fé em Jesus para que essa energia psíquica se converta em força para o trabalho, pra religião, pras artes etc. Ou seja, tornando-se pessoas assexuais.

Analisando a Obra de Marisa Lobo

Falando mais propriamente dos textos de Marisa Lobo, me chamou a atenção o estilo de intensa pregação religiosa. Com o título “Psicologia Pastoral”  há um link em seu site que leva a diversos textos que são pura pregação bíblica. O próprio termo “psicologia pastoral” me pareceu um enigma.

Mesmo na sessão de Artigos, onde eu esperava encontrar publicações em Congressos e Revistas de Psicologia (até onde soube, pelo twitter dela, Marisa Lobo praticamente só vai em eventos evangélicos e publica em revistas cristãs), achei apenas ensaios repletos de citações da Bíblia. Em um deles, Marisa chama Jesus de “o divino psicólogo”. Em outro artigo, “A procura da verdade no processo terapêutico”, onde ela faz as únicas referências explícitas à Psicanálise no site, a conclusão parece associar a verdade curadora no processo terapêutico com a aceitação de Jesus como Senhor.

Além da crônica falta de referências e de argumentos que não sejam bíblicos, e do estilo de intensa pregação, seus textos parecem, ao menos para mim, um tanto confusos. Em diversas passagens vemos contradições lógicas. Por exemplo, em um artigo sobre como a Igreja deve tratar homossexuais, ela diz que Jesus não tolera quem não enxerga seus próprios erros, para em seguida, poucas linhas depois, dizer que Jesus tolera e ama a todos.

Claro que sempre é possível fazer diversas interpretações de um texto, mas as contradições e confusões persistem em diversos de seus escritos Especialmente no link “Psicologia Pastoral”, de onde destaco um trecho:


A desgraça não acha, nem dá tempo para a graça. Isto é muito sem graça. Na verdade, não é possível achar graça na desgraça. Só os criadores da desgraça acham graça na desgraça”. 


De fato, depois de ler Marisa Lobo é comum ficar com a impressão que diversos de seus textos deveriam ter passado por um revisor ortográfico e uma releitura seguida de edição.

Um texto de Marisa Lobo comentado

Resolvi analisar detalhadamente um texto de Marisa Lobo para expressar melhor o que quero dizer aqui sobre a qualidade da sua “Psicologia Cristã”. O objeto de estudo é um comentário que ela fez sobre a adoção crianças por um casais de mesmo sexo. Para ler o texto, publicado por um portal evangélico, clique aqui.

Antes de mais nada, algumas considerações estilísticas sobre o texto. São 638 palavras escritas em um único parágrafo, com sentenças de uma sintaxe confusa até por conta de uma pontuação falha. Isso sem falar nos erros de ortografia. A primeira frase do texto já possui um erro crasso: Fico muito preocupada com crianças adotadas em idades inferiores  6 anos…”

Fora esses problemas estruturais no texto, ele é todo cheio de raciocínios estranhos. Por exemplo, o que ela quis dizer com “os pais podem induzir na criança um comportamento homossexual sem que necessariamente a criança seja por estímulo oferecido causando assim  um sofrimento grande em sua alma  no futuro” (???). Para mim há uma falha que nem chega a ser teórica, mas simplesmente lógica, na construção da sentença.

Deixemos de lado esses aspectos sintáticos e falemos de semântica. O que significa esse texto de Marisa Lobo? Em resumo, ela diz que a criança poderá ser induzida a se tornar homossexual por pais homossexuais, e que isso lhe fará sofrer, pois o destino de homossexuais é sofrer (Sofrimento do qual ela seria poupada se tivesse pais héteros). Nota importante: me parece que a maior parte do sofrimento dos homossexuais não é intrínseco à sua sexualidade, mas decorrente de um ambiente social homofóbico e muito coercitivo. Esse detalhe, o da determinação social do sofrimento do homossexual, Marisa Lobo não explana.

Para sustentar a tese de que filhos adotivos de homossexuais se tornarão homossexuais, Marisa Lobo cita um pouco de Psicanálise: o Complexo de Édipo ainda está em formação até os 6 anos, idade em que “o sistema nervoso central ainda está em formação” (???), e que a “realidade psíquica” bem formada demanda um pai e uma mãe. Não sou psicanalista, mas me parece que formulações mais recentes e muito mais difundidas da Psicanálise, como a Lacaniana, superaram essa visão freudiana ortodoxa. Por outro lado há sim pesquisas não-psicanalíticas sobre o bem-estar de crianças adotadas por homossexuais. Pesquisas que Marisa Lobo parece ignorar (Se bem que ela nunca faz referências explícitas a pesquisas), e falam até do fato de que pais homossexuais, sejam gays ou lésbicas, tendem a ser mais atenciosos e dedicados aos filhos, uma vez que adoção tem um custo social tão grande que apenas os que realmente queriam ser pais conseguem o feito.

A Defesa de Marisa Lobo

Dia 9 de fevereiro Marisa Lobo foi convocada a se apresentar ao Conselho de Psicologia e prestar esclarecimentos sobre a acusação de que vende religião disfarçada de Psicologia. A própria Marisa Lobo comenta como foi o episódio neste link aqui. A base de sua defesa é que está apenas professando sua fé, sendo seu direito legal. Marisa Lobo alega que o Conselho exigiu que ela escolhesse entre sua religião e sua carreira como psicóloga (Me parece improvável que alguém tenha pedido para ela “negar a Jesus”, contudo).

Marisa Lobo não está apenas professando sua fé, como diz. Está fazendo uso de seu titulo de psicóloga para isso, ao ponto de defender que o que faz é “Psicologia Cristã”. Em outras palavras, disfarça uma ideologia religiosa de discurso científico. Esse é o ponto central da crítica (que ela entende como perseguição religiosa), à sua postura profissional. E mediante as regras (que Marisa Lobo conhece muito bem) do Código de Ética da profissão, fazer propaganda de si mesmo como “psicólogo cristão” é tão anti-ético quanto declarar-se “psicólogo petista”, “psicólogo kardecista”, “psicólogo liberal”, etc. Em resumo: a Psicologia não pode ser usada para legitimar e pretensamente endossar ideologias políticas, religiosas, filosóficas de seu profissional.

Considerações Finais

Como já pontuado anteriormente, vivemos hoje no Brasil um crescimento assombroso do cristianismo evangélico, em especial do neopentecostal. Nesse contexto, surge um mercado consumidor para um novo tipo de terapia alternativa, ao lado de tantas outras já existentes e igualmente não reconhecidas oficialmente por órgãos como o Conselho de Psicologia e o de Medicina: a psicoterapia cristã (cujo carro-chefe, atuamente, é a propaganda da pretensa “cura da homossexualidade”).

Como toda terapia alternativa, ao lado dos Florais de Bach, do Reiki, da Astrologia Clínica, etc, a Psicoterapia Cristã faz um pastiche teórico-metodológico da Psicologia com alguma espiritualidade mística e/ou religiosa. Como terapia alternativa explora o efeito placebo originário da fé do paciente. Pouquíssimo ou nada se baseia em Ciência. Seu diferencial diante das outras terapias alternativas é que a fé que neste caso é religiosa, reforçada por um aparato social poderoso (uma determinada comunidade cristã), e não uma fé mística individual (como é a das pessoas que crêem em Reiki ou cura por cristais).

Por conta desse mercado crescente, deduzo que será cada vez mais comum a presença de líderes religiosos em cursos de formação em psicoterapias breves, bem como a criação de cursos especialiados para membros dessa comunidade (como os já muito comuns, nos EUA, cursos de “aconselhamento pastoral”).

E eis aí um novo agente surgindo no cenário da Psicologia Brasileira, caros psicólogos e clientes de Psicologia. Em um Brasil que cada vez mais tem como grandes líderes pastores como Silas Malafaia (que também é psicólogo, notem!), Edir Macedo e Valdomiro Santiago, cada vez mais surgirá demanda e oferta de psicólogos cristãos. Marisa Lobo não é a primeira, mas é o protótipo e modelo teórico, metodológico e prático para muitos e muitas que estão por vir.


* Alessandro Vieira dos Reis é Analista do Comportamento e mantém o blog Olhar Beheca.

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  • Carol

    Muito esclarecedor o texto. Gostei muito.

  • Natalia Guerreiro

    1) a psicóloga mudou o header então, pois havia o CRP dela no cabeçalho, q ficava visível em todos os posts, dando a falsa chancela do conselho de psicologia a lidar com homossexualidade como doença, daí o problema todo.

    2) tb resta a dúvida se ela pregava no consultório fora da igreja. ela diz q não, mas ao msm tempo afirmou q, qd uma paciente suicida perguntou q motivo teria para viver, ela falou de deus. não fica claro se foi dentro ou fora da igreja q essa consultoria se deu.

    3) tenho de protestar qd o autor deste post quer criticar a profissional por errinhos de português. Tanta coisa pior no conteúdo! E errinho por errinho, atire a 1a pedra quem nunca cometeu erros na internet.

  • Denise de Moraes

    Obrigada pelo esclarecimento.

  • http://olharbeheca.blogspot.com/ Alessandro Vieira dos Reis

    Sobre os erros de português de Marisa Lobo:

    1) Não são poucos. São bem frequentes, aliás.

    2) Não são pequenos. Há erros crassos, que vão além de mera ortografia. Falhas grosseiras em construção de sentenças, mesmo.

    3) Uma profissional com diploma universitário e com quase 15 anos de experiência em Psicologia (que é uma área muuuuuuuuuuuuuito textual), que escreva tão mal quando se comunica formalmente com o grande público é no mínimo algo suspeito. Suspeito, p.e., de que ela não é muito de ler, o que ressalta a falta de pesquisa e embasamento de suas ideias.

    ou seja, se senti necessidade de apontar o péssimo português dela foi como parte da estratégia de mostrar como há algo de muito errado MESMO com o que ela em escreve.

  • http://www.elivieira.com Eli Vieira

    Ah é, ela gosta de Freud? Então ela terá Freud.

    “Em se tratando de religião as pessoas são culpadas de todo tipo de insinceridade e delinquência intelectual.” Freud, 1927.

    “Doutrinas religiosas são todas ilusões, ninguém pode se convencer de considerá-las verdadeiras e crer nelas”. Freud, 1927.

    “A imoralidade, não menos que a moralidade, encontrou em todos os tempos apoio na religião.” Freud, 1927.

    “No fundo Deus nada mais é que um pai exaltado.” Sigmund Freud, Totem e Tabu, 1913.

    Além de não citar NADA em pesquisa científica psicológica, não conhece a natureza secular da própria vertente que ela supostamente adotou para sua prática profissional.

  • Kamilla

    Acho totalmente pertinente avaliar a ortografia de textos do tipo, textos que querem passar a noção de conteúdo científico. Todos cometem erros, claro. Mas para publicações serias é necessário que várias revisões sejam feitas antes de se colocar o texto em circulação. Algumas vezes interpretam a exigência de adequação à norma culta da língua portuguesa como elitismo, mas ao meu ver é o mínimo que se espera de quem se aventura a publicar textos com conteúdo dito científico.

    Excelente texto, muito esclarecedor! Uma pena que argumentações do tipo acabem caindo em refutações do tipo “estão me impedindo de exercer a minha liberdade religiosa!”. Os limites da liberdade religiosa e de expressão infelizmente ainda são muito frágeis no Brasil, o que acaba dando margem pra vários tipos de atrocidades…

    Alguém saberia informar se o Conselho de Psicologia já chegou a fazer uma investigação mais profunda do caso?

  • http://olharbeheca.blogspot.com/ Alessandro Vieira dos Reis

    Falando especificamente sobre a sexualidade Freud escreve, em “A Psicogenese de um caso de homossexualismo em uma mulher” (1920), que todos somos bissexuais por natureza.

    Fatores orgânicos além do alcance da Psicanálise determinam nosso gênero e também o tipo físico. A única coisa que a psicanálise poderia ajudar seria em determinar porque em determinadas circunstâncias uma pessoa toma por objeto de desejo um homem e em outras uma mulher.

    Apesar do linguajar médico comprometedor, Freud não via com maus olhos a homossexualidade feminina. Me parece que em outros textos, contudo, ele associa a homossexualidade masculina a paranóia e à esquizofrenia, mas aí é outra história que os freudianos e críticos da Psicanálise já cansaram de discutir e relevar….

  • http://www.elivieira.com Eli Vieira

    Ou seja, se a “doutora” Lobo vai dizer que superamos o que Freud disse sobre religião, também vai ter que admitir a possibilidade de que também já o superamos na questão das orientações sexuais.

  • Lucas

    Sinceramente. Acho que Marisa Lobo é, na verdade, um peão do tabuleiro de Xadrez de Silas Malafaia.

  • marcelo

    Pessimos profissionais ruins de etica e horriveis de portugues se formam aos milhares em todas as areas do conhecimento a cada semestre. Lamentavel.

  • André

    Alessandro,

    Em uma triste época na qual prosperam as pseudociências e a intrusão dos movimentos religiosos nas questões políticas de um Estado laico, os esclarecimentos deste texto vem a calhar. No entanto, como você alerta, trata-se apenas de uma predição do que ainda está por vir, e uma expressão menor da aparelhagem pretensamente científica de que as religiões tem se utilizado para legitimar seu caráter dogmático. O limite entre a liberdade de expressão religiosa e o rigor com que devemos exercer nossa profissão livres de julgamentos parece ser facilmente ignorado. Se isto é apontado, travestem-se em um discurso de perseguição religiosa. Como enfermeiro é frequente vivenciar situações em que, face à fragilidade dos pacientes, os acompanhantes ajam com proselitismo socialmnete legitimado. Por extensão, sobretudo as religiões neopentecostais se utilizam de uma alegoria bélica, de guerra contra o mal para legitimar sua intervenção contra “os bons costumes”. Se você não está conosco, está contra nós. E ai de nós, as minorias céticas, ou melhor, as minorias éticas.

    Abraço

  • Jefferson

    Tapa de luva na fuça!!! Interessante alguém querer definir algo como “Psicologia Cristã”. Ou é Psicologia ou é Religião, oras!!! Parabéns pelo post. E como uma colega disse em um comentário anterior: “todo mundo erra, não podemos olhar errinhos por errinhos.” Mas quando nos deparamos com seguidos erros ortográficos, gramaticais, semânticos, etc… de alguém que se diz Psicólogo e que está disposto a escrever algo baseado em “pesquisas científicas”, algo de podre, muito fétido existe. Ah! Existe! Pelo vocabulário empregado, ou pela falta dele, já temos a noção com qual tipo de pseudo-cientista estamos lidando.

  • http://www.facebook.com/Dutratm Thiago M. Dutra

    Parabéns Alessandro pelo excelente trabalho – texto!

  • Felipe Lins

    Não li o texto todo mas vou dar minha opinião.

    -não é possivel transformar um gay em hetero, principalmente com psicologia.

    -o termo cura está empregado erroneamente pois da a entender que a homossexualidade é uma doença.

    -o código de ética proibe esse tipo de prática, tais como conversão a religião ou parrtido politico. O objetivo da psicoterapia não é esse.

    Nada mais a dizer

  • Felipe Lins

    Só mais uma coisa.
    Estudo psicologia. E alguma psicologa do Rio foi denunciada e proibida de atuar por tentar “curar homossexuais. Não sei se é a mesma que aparece no texto.”

  • Fátima Barreto

    Não sendo profissional da área, ainda assim considerei relevante o conteudo aqui abordado. Fato é que para afirmarmos algo, em principio, sustentamos tais afirmaçoes numa base teorica-cientifica. Esta claro aqui a defesa da autora frente a afirmaçao da pratica da Psicologia Cristã como algo distinto do que é considerado pratica e fundamentos da Psicologia.

    Quando confronto-me com algumas afirmaçoes fundamentadas em personagens considerados cientista com Freud e muitos outros antes e depois dele, percebo que a psicologia nao poderia jamais deixar de considerar os aspectos designados espirituais ou divino. Trago singelamente aqui uma referencia reflexiva que é uma abordagem do Livro Jung Vida e Obra, especificamente na pag. 141 Religiao como função psiquica.
    Considero as abordagens terapeuticas, com olhos voltados tambem para a espiritualidade, algo indispensavel, as abordagens sobretudo por concordar com Jung quanto ao processo de Individuaçao e o contexto do Divino.
    O que percebo é a mistura das estaçoes ou seja Religiao – religar Deus ao HOMEM, e a ciencia que explica os fenômenos humanos no caso, a Psicologia…

    Nao podemos separar um profissional das suas convicçoes espirituais e ou religiosas,no entanto as convicçoes religiosas e ou espirituais podem sim inviabilizar o processo de cura nos varios seguimentos do trato com a pessoa humana.

    Qto a pratica homossexual ainda nao temos dados cientificos que afirmem ser esta inclinaçao e ou decisao, um aspecto puramente genetico, educacional, patologico ou simplesmente o direito de livre escolher sua forma de obter prazer.
    O equilibrio poderia resumir-se na conceituaçao da etica e sobretudo humildade dos profissionais ao perceberem que a pessoa humana ainda é uma boa caixa preta, portanto muitas outras teorias podem surgir.

    Certa ocasiao, participando de um seminario de psicologos cristãos, pude ouvir uma afirmaçao que julgo sintese do que aqui exponho. ” um bom profissional nesta área…deverá ter a sensibilidade e profissionalismo para encaminhar seu paciente para um desenvolvimento da sua espiritualidade se este aspecto for o motivo de sua crise existencial” a afirmaçao nao esta rigorosamente como foi falado mas a essencia é esta.
    Finalmente quero dar os parabens pelo zelo da autora ao abordar os riscos da pratica da psicologia cristã com uma vestimenta Religiosa .Em tempo desejo que a psicologia aprofunde cada vez mais, sobretudo no Brasil, a realidade da espiritualidade/religiosidade e suas consequencias benéficas curativas e desencadeadoras de patologias assustadoramente crescente.
    Obrigada

  • Bosco

    Marcelo disse: “Pessimos profissionais ruins de etica e horriveis de portugues se formam aos milhares em todas as areas do conhecimento a cada semestre. Lamentavel”

    Consequencia dessas inúmeras arapucas que chamam de faculdades particulares espalhada pelo país, lotadas de estudantes que não entrariam numa universidade pública e despreparados para pertencerem a comunidade academica.

  • http://olharbeheca.blogspot.com/ Alessandro Vieira dos Reis

    Uma resposta pra Fátima Barreto:

    espiritualidade não se resume a religião e nem necessariamente se baseia em fé.

    O próprio Jung, q vc citou, afirmou q nao tinha necessidade de ter fé em nenhum deus pois preferia o conhecimento vivencial à fé; e nem de participar de nenhuma religião, pois seus estudos filosóficos respondiam a todos os seus anseios existenciais.

    Encaminhar um paciente para uma igreja, de forma análoga a que se encaminha para um médico, é anti-ético pois é presumir que um sacerdote (em detrimento de tantos outros) possui a Verdade.

  • André

    Fátima,

    Acho que sua posição não ficou muito clara, os argumentos ainda menos, pois quando você conclui

    [[Em tempo desejo que a psicologia aprofunde cada vez mais, sobretudo no Brasil, a realidade da espiritualidade/religiosidade e suas consequencias benéficas curativas e desencadeadoras de patologias assustadoramente crescente.]]

    devo inferir que você vê a espiritualidade e a religiosidade (duas noções completamente distintas, como lembrado por alessandro) de forma dual, que pode ser tanto causa quanto solução de transtornos psíquicos? Pois me parece que durante toda a sua fala você discorreu defendendo com moderação a prática de usar a religião como base metodológica válida no campo da Psicologia.
    Sim, a espiritualidade é uma interface indissociável da condição humana, mas, embora não tenha nenhuma formação em Psicologia, acredito que cabe a esta entender esta dimensão espiritual, mas não influenciá-la a partir das convicções do psicólogo. Como você disse, há uma uma confusão entre a religião e a psicologia, justamente porque se tem colocado religiosidade e espiritualidade como equivalentes. “Psicologia Cristã” é um termo criminoso para uma prática ominosa, porque que legar ao aconselhamento espiritual o caráter de ciência, vesti-lo em uma roupagem com metodologia obscurantista, sem referências e validação do método, como ocorre com a verdadeira ciência, é abusar da boa fé da grande massa de fiéis em nosso país.

  • http://www.twitter.com/RicHardOak Richardoak

    Isso tudo ainda vai além! A @marisa_Lobo afirmou acreditar que só a psicologia é insuficiente para curar dependência química, havendo a necessidade de Deus! Ou seja, pra ela um Ateu/agnóstico JAMAIS vai conseguir ter um tratamento bem sucedido! E já que ela mostra claramente que não consegue tratar alguém de modo eficaz usando somente a psicologia; sem Deus ou suas crenças, ELA ESTÁ INAPTA A EXERCER A PROFISSÃO!

    O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA TÁ DE BRINCADEIRA EM NÃO TER CAÇADO-A AINDA.

  • Fabiane

    “[...] o ser humano é uma criatura animal de inequívoca disposição bissexual.” FREUD. S. O mal-estar na cultura. Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 115 (Original publicado em 1930)

  • Amorim

    Essa Marisa Lobo precisa de tratamento…
    Indicaria a psicóloga Jill Mytton para tratar os danos que a religião causou em Marisa Lobo!

  • http://heltonlopesvulgojack.blogspot.com Helton

    Quando você considera como “referência” psicológica a doutrina de um sujeito que mandou todos os seus discípulos abandonar a família, saiu chutando as mesas de comerciantes que faziam da casa de seu “Pai” casa de comércio, secou uma figueira porque não achou figos fora de época para se alimentar e mandou demônios para uma manada de porcos… é hora de rever seus conceitos.

  • Heleno Varela

    Excelente texto, além de muito esclarecedor. Gostaria de salientar que essa onda religiosa infelizmente está sendo difundida em outras áreas do conhecimento. Sou acadêmico de História e percebo a grande quantidade de colegas usando a religião para legitimar conceitos históricos e científicos. Agora imaginem o estrago que essas ideias pode causar em sala de aula para crianças na sua formação intelectual? mais uma vez parabenizo a matéria e que mais pessoas possam denunciar e apontar essas “aberrações” do nosso país, ainda laico, e evitar que viremos uma teocracia de terceiro mundo.

  • Pela Fé

    Só para resumir, os que são contra ela são aberrações marxistas que além de negar a psicologia analítica de jung (dizendo que não aplicava conceitos divinos), negam direitos constitucionais, enfim, são intolerantes medíocres.

  • http://olharbeheca.blogspot.com/ Alessandro Vieira dos Reis

    3 pontos:

    1) Jung aplicava “conceitos divinos” ? uau !

    2) eu não sou marxista. Muito pelo contrário. No meu blog tem um longo post explicando porque não o sou:

    http://olharbeheca.blogspot.com/2012/01/todo-behaviorista-deve-ser-marxista-meu.html

    3) Qto a direitos constitucionais, a Marisa Lobo tem todo o direito de fazer pregação religiosa a vontade na internet, seja onde for. Contanto que ela não diga que isso é Psicologia.

  • Fátima Barreto

    Alguns esclarecimentos a quem solicitou

    1- Nao sou academica de psicologia, mas, apaixonada pela pessoa humana e seu universo composto no meu entendimento: corpo, soma e espirito.
    2- Refiro-me sobre a espiritualidade como uma das facetas do ser humano. Nao sou cientista, professora nem especialista, tao pouco pesquisadora da pessoa humana, com competencia academica para estar aqui citando teorias de A ou b. ei os seus conceitos sobre espiritualidade.
    Percebo tambem, que muito do que lemos e aplicamos como metodologia ou instrumento de análise terapeutica no seguimento da psicologia, carecem de metanoias a partir dos proprios profissionais responsaveis pelo cuidar da psiquê humana ou da espiritualidade como área de competencia da psicologia.
    3- Se a existencia de um espirito humano vem sendo objeto de divergencia das ciencias que buscam estudar compreender e auxiliar no processo de organizaçao e cura das emoçoes e da mente humana, considero importante um estudo do que muitos autores consideram ou denominam como sendo a espiritualidade humana e seus mecanismos comportamentais sobreturo no que vem sendo considerado” curas espirituais.”
    Fica notorio o fato de que, as pessoas que nao aceitam, nao encontram fundamentaçao em bases cientificas, podem deixar o fato fora deste universo. Mas o que estamos percebendo cada vez mais, sobretudo no B rasil, e a mistura das massas que pode ser ou nao ingrediente do mesmo bolo.
    Acaso encontramos uma unica linha doutrinária seja cientifica ou dita espiritual, para as multiplas curas registradas ou fraldadas na nossa sociedade? E como as averiguar se nao formos atententos, eticos, responsaveis e acima de tudo encantados por todos os fenomenos que envolvem todos nos simples, ainda que doutos mortais?

    4- A defesa doutrinaria dos academicos da psicologia, tem sua consistencia e autorizaçao para adentrar na defesa do que a esta área lhe é licito adentrar. Quanto a questao dos dogmas doutrinarios e conceituaçoes da pessoa humana a luz das doutrinas abraçadas por todos os profissionais da psicologia, como o caso da psicologa Mariza Lobo, e muitos outros nao tão expostos, nao é competencia da “ciencia” ainda que muitos dos fenômenos religiosos no nosso pais, já possam ser esclarecidos como por ex. a Glossolalia (espero ter escrito correto) sugestos etc.

    5- Ressalto que tem sido normal ao longo dos séculos divergencias e extremismos nas diversas culturas e ou correntes academicas e ou religiosas. Acaso nao acontece o mesmo agora no seculo xxi quando contemplamos aspectos de curas à luz da Medicina alternativa, naturismo, materialismo e tantos ismos? Seria acaso diferente no cristianismo, induismo budismo, espiritismo etc… achismo?

    Lembrei da musica…ado, ado ado cada um no seu quadrado….¨¨E no final ficaremos todos enquadrados…
    .Ousar pular a cerca, para que? para ser taxado de inadequado.? Parece que estar no ritimo correto é cantar uma melodia que nao seja o “melô do malandro” isso parece ser o que anda faltando.

    Diante de todos os comentarios aqui lido e por mim escrito, uma coisa apenas fica nisso tudo. Quem é bom permanece e defende seu espaço sem com isso ofuscar o espaço do outro sobretudo se o outro nao estiver no mesmo compasso. Os piratas nao irão muito longe… assim como o carnaval nao dura a vida toda.
    Gente seria comprometida com o que sabe, o que faz, pensa e divulga terá sempre como aliado a própria concretude que a realidade da essencia humana testemunha nas milhares de vidas sobre este planeta.
    Mais uma vez felicito quem bem defende a verdade, etica e competencia parceira do conhecimento construido com bagagem do passado presente e visao de futuro alem terra via terra.
    FICANDO CLARO O MEU PENSAR
    Fato é que na minha cosmovisao, percebo espiritualidade como um portal que passa pelos multiplos conceitos da religiosidade praticada e crida em muitas culturas, inclusive a nossa.
    E neste aspecto que me identifico com Jung que com competencia afirma a possibilidade deste portal ser adentrado com responsabilidade. Em momento algum afirmo ser uma boa conduta o psicologo ou áreas afins, indicar seguimento religioso como porta a ser aberta afirmando esta oferecer a cura.
    Na pratica percebo como que uma sombra vinda de todo profissional em todas as áreas, sendo refletida na sua conduta no trato com o individuo ou com a maquina que seja objeto do seu trabalho. E neste sentido que comento a importancia de aprofundar-se os especialistas no universo chamado espiritualidade ou seja la outro nome que lhe seja dado ou descordado e desacreditado. Ha toda hora ouvimos, lemos, assistimos relatos de pessoas em experiencias de pre morte, ou morte e retorno, ou vivencias de extremos psicologicos etc, etc.. Ha como temos muito a conhecer..
    .Obrigada a todos que nao desistem de aprender e apreender..

    Espero ter respondido as perguntas e esclarecido as duvidas mencionadas.

  • Gerson B
  • Gerson B

    Coitado do Jung, deve estar se revirando lá no Inconsciente coletivo .Falava, falava e os caras ainda usam as ideias delle pra achar que ele defendia Deus:

    “O senhor certamente já percebeu que eu trato apenas de psicologia e não de teologia. Quando abordo, portanto, o conceito de Deus, eu o faço apenas do ponto de vista da psicologia, e não de sua hipóstase. Deixei bem claro em meus escritos esta limitação epistemológica, cientificamente necessária”

    “Quando falo de Deus, faço-o sempre como psicólogo, e enfatizo isto expressamente em muitas passagens de meus livros. Para o psicólogo, a imagem de Deus é um fato psicológico. Sobre a realidade metafísica de Deus ele nada sabe dizer, pois isto ultrapassaria de longe os limites epistemológicos”

    “Só posso repetir: não sou um teólogo que prega determinado Deus, mas um empírico que só pode constatar a existência de uma possibilidade arquetípica de idéias sobre Deus, quaisquer que elas sejam”.

    Fica claro que ele estudava Deus(es) como ideia(s), a ação da ideia de Deus na mente humana.Inclusive estcreveu sobre mitos pagãos. Mas é fácil selecionar textos pra justificar o que se quer. Religiosos são mestres nisso.

  • EDNA LEMOS AQUINO SILVA AQUINO

    Se a Filosofia é ciência, obra da razão humana, tão racional quanto qualquer ciência, não será absurdo falar em filosofia cristã, como seria falar em matemática, física ou biologia cristã?Como provar, pela razão humana, o conteúdo da fé cristã?
    A Ciência, e a Filosofia é ciência, não parte da certeza, mas da dúvida, não parte da resposta, mas da pergunta.E, se filosofar é levar a dúvida às últimas conseqüências, é óbvio que o crente, enquanto tal, a menos que simule a dúvida que realmente não tem, não pode filosofar sem pôr em questão sua própria fé e deixar, conseqüêntemente, de ser crente.

  • EDNA LEMOS AQUINO SILVA AQUINO

    Se a Filosofia é ciência, obra da razão humana, tão racional quanto qualquer ciência, não será absurdo falar em filosofia cristã, como absurdo seria falar em matemática, física ou biologia cristã?Como provar, pela razão humana, o conteúdo da fé cristã?
    A Ciência, e a Filosofia é ciência, não parte da certeza, mas da dúvida, não parte da resposta, mas da pergunta. E, se Filosofar é levar a dúvida às últimas conseqüencias, é óbvio que o crente, enquanto tal, a menos que simule a dúvida que realmente não tem, não pode filosofar sem pôr em questão sua própria fé e deixar, conseqüentemente, de ser crente.

  • http://www.facebook.com/alessandrovr Alessandro Vieira Dos Reis

    Edna,

    desculpe, mas seus comentários me parecem muito confusos…

    Vc fez outro mal entendido. Em nenhum momento se falou de “filosofia cristã” aqui. ISso até existe, na clássica Escolástica medieval…

    O que se falou aqui foi da tal da “Psicologia Cristã”, e se mostrou evidências (diversas, espero q vc tenha lido com atenção) de que isso é falho do ponto de vista epistemológico e tbm do ético.

  • FREITTAS VIEIRA

       Srs.,não acoais um mosquito e engolis um camelo.
       Fica feio vocês sendo ateístas usarem a Bíblia para induzir pessoas ao que vocês acham que convém,e pior ainda é que dizem que a Bíblia não é ciência,e por que usam?
      Isso é fato,é evidência ,pois na entrevista a Sergio Viula,a Lihs pergunta:
      
    LiHS – Você é ateu e
    teólogo. Pensa que uma religiosidade moderada poderia ser benéfica à
    situação dos gays no Brasil? Afinal de contas, [b]sendo a Bíblia a
    compilação de livros diversos que é, tem tanto passagens em que condena a
    homossexualidade quanto descrições de homoerotismo entre Jônatas e Davi
    e entre Noemi e Rute. Estes personagens não poderiam servir de exemplos
    para um cristianismo sem homofobia? Há cristianismo sem homofobia?[/b]

        Como pode condenar alguém por falar da Bíblia e também agir igual?Dois pesos e duas medidas?
         Usam o caso de Davi e Jônatas,Noemi e Rute para induzirem pessoas ao homossexualismo?Isso é indução,ou não?E usando textos bíblicos?
           Dizem que o pior cego é o que não quer enxergar.
         E ainda mais,não sei quem fez a entrevista,espero que não seja um psicólogo,pois já pensou um psicólogo induzindo a religião cristã?rsrsrs
         O mesmo tentou de dar de teólogo,e induziu pessoas ao erro,pois Davi e Jônatas,Noemi e Rute,nunca houve caso entre eles de erotismo.Isso é não conhecer o amor âgape,eros e philia.
            O mesmo amor que Davi sentia por Jônatas,Rute sentia por Noemi,Jesus perguntou a Pedro:Tu me amas?Isso se chama amor ágape,amor fraternal.

         Como está na página do CFP ,”a letra mata,mas o espírito vivifica”,foi a interpretação do texto,a letra matou.
             Agora,a ciência ensina que o ser humano é um ser de corpo e alma,já o cristianismo é ensinado que o ser humano é um ser de corpo(físico),alma(homem natural)e espírito(homem espiritual).e se a ciência não quer avançar,quer ficar estagnada somente com o homem natural,quem quer avançar é declarado um apóstata da ciência?
             Srs.,deixem a ciência avançar,saber que o ser humano também é um ser espiritual.
        E srs.,por favor,espero não encontrar em vossos consultórios vasilhas com sal grosso,dente de alho,gnomos pendurados,plantas na entrada de comigo nínguém pode,espada de s.jorge.rsrsrs
         Abçs a todos.Viva a democracia,ditadura,não.
        
      

             

  • http://www.facebook.com/alessandrovr Alessandro Vieira Dos Reis

    Freitas Vieira,

    no caso que vc citou a bíblia foi citada como artigo de argumentação lógica, não de fé religiosa.

    Eu mesmo, q conheço bastante esse livro, sei citar vários versículos de cor qdo quero argumentar uma coisa ou outra sobre religião. Assim como tbm conheço o Corão, o Talmud, o Livro de Mórmon, etc.

    Afinal, como poderia eu rejeitar essas obras sem as conhecer profundamente? (ao ponto de poder citá-las em argumentações lógicas).

    No mais, quem se baseia na bíblia mesmo, não como argumentação lógica, mas como apelo à fé religiosa, é Marisa Lobo (como demonstrei pormenorizadamente no meu texto, e tbm expliquei qual o problema ético e epistemológico em usar isso para fundamentar uma Psicologia).

  • http://www.facebook.com/people/Marcos-Barbosa/1597071951 Marcos Barbosa

    Divergindo do que foi mencionado: Não se lança culpa nas pessoas, menciona-se o erro a fim de que elas se corrigam por si mesmas.
    Para Freud, que não foi religioso pensou desta forma, é opinião dele, o qual divirjo pois para mim e qualquer que frequente uma igreja, o ensino é algo importante.
    A religião anuncia a imoralidade a fim de que as pessoas se conscientizem e ensina-se a moralidade para um viver tranquilo.
    Deus exaltado? Puro achismo de Freud, pois não teve oportunidade de conhecer a Deus.
    Freud ao falar de religião apenas mostrou o seu preconceito, e tem gente que faz das palavras de cunho pessoal de Freud sobre religião, ciência!

  • http://twitter.com/RenataFreitag Renata Freitag

    E esse post em que ela explica como foi comprovada a existência de deus CIENTIFICAMENTE, tipo???
    http://marisalobo.blogspot.com/2012/02/istoe-cientista-polones-mostra-que-deus.html?spref=tw 

  • http://www.twitter.com/boni_bo Francisco Boni

    Perdida e patética.

  • FREITTAS VIEIRA

    Alessandro Vieira Dos Reis

    Mas, torcer o texto como pretexto de dar respaldo,é ético?
    Transformar amor ágape em amor eros,é aceitável?
    O que poderia dizer de tal comportamento?

  • http://www.facebook.com/alessandrovr Alessandro Vieira Dos Reis

    Freittas, 

    Pelo que li da bíblia não fica absolutamente claro qual o tipo de amor era o de personagens como Jonatas e Davi: ágape, eros ou filia (ou TODOS ao mesmo tempo). 

    O texto bíblico diz que esses dois homens (que eram corajosos guerreiros) se beijavam chorando em despedidas, que sua almas estavam entrelaçadas (e que isso foi À PRIMEIRA VISTA), e que sentiam um pelo outro algo mais intenso que muitos homens sentem por suas esposas.

    O mais provável é que fossem “bissexuais de ocasião”. Ao menos Davi,  uma vez que esse, quando rei, teve várias mulheres. Mas, repito, não dá pra saber com 100% de certeza. 

    Contudo, há um tipo de homossexualidade masculina, segundo o antropólogo Dennis Werner, que não envolve contato sexual. Ele chama de “irmãos de sangue”, que é mais comum na adolescência de rapazes solitários: dois amigos que vivem uma relação afetiva tão intensa que estão apaixonados um pelo outro, ao ponto de um impedir que o outro arrume uma mulher, apesar de nunca fazerem sexo ou terem ereções quando se tocam.Ou seja, se admitirmos a categoria “irmãos de sangue” como tipo de homossexualidade dá pra afirmar com grande certeza que Jonatas e Davi tiveram esse tipo de relação.

    Mas a bíblia, repito, não é uma referência interessante. Só cito para mostrar logicamente que até mesmo um livro que prega o ódio contra uma coisa (no caso, a homossexualidade), tbm cita casos de homoafetividade. Ou seja, trata-se de um livro confuso e cheio de contradições lógicas (como são, aliás, os textos de Marisa Lobo).

  • FREITTAS VIEIRA

         Meu caro,Reis

        Você é um analista de comportamento.
        Se você notar,o primeiro rei de Israel foi Saul,e por “desobediência,Davi foi escolhido para reinar em seu lugar.
         A convivência de Davi e Jônatas foi enquanto o mesmo era soldado do rei,e imagina um rei sendo tirado por desobediência,para colocar um soldado que agia igual?Se houve um profeta que repreendeu Saul,não repreenderia Davi enquanto soldado?Não tem lógica.É torcer a verdade para achar respaldo,é transformar amor ágape em eros.
        Meu caro Reis,foi você quem fez a entrevista ao Sérgio Viula?Se foi,gostaria de fazer umas perguntas a você,pois houve muita omissão na entrevista,foi uma entrevista para agradar um grupo e não mostrar a realidade dos fatos.
      
        Não sei se foi você,mas umas das perguntas seria:Sérgio,você é teólogo,o homem é um ser espiritual?
        Gostaria de fazer outras ,se possível.
        Abçs
      

  • emilio nem

    Não é possível tornar nada em nada. Nem hetero em homo, nem homo em hétero. não é possível também, que até os dias atuais independente dos fatores epistemológicos, conceitos historico-cientificos e outros, transformar a fé do outro em um lago vazio do qual não emerge nenhuma vida. muitos são os fatores relacionados a homossexualidade que jamais foram descobertos, não serão e ora, nem mesmo deveriam ser discutidos uma vez que jamais se teve competência humana para compreendê-los. a discussão cientifica é muito bem vinda e lança uma centelha de luz na nebulosa caminhada humana sobre a terra. por isso deve-se buscar conhecer mais, perseguir menos e alcançar mais resultados, inclusive mais profícuos. seria interessante mesmo é confirmar cientificamente que tais métodos ou seja lá que nome se dá, não funcionam. Tudo gira em torno de especulação enquanto a classe marginalizada, debochada e sobretudo abandonada da sociedade vai sobrevivendo na marginalidade de maneira absurda. Aos que creem, boa sorte e vivam em paz com seu Deus e na esperança de dias melhores. Aos que não creem, busquem a paz, a espiritualidade, as realizações nas suas crenças cotidianas. A todos: que encontrem todas estas realizações de vida, sejam elas emocionais, psicologicas, filosóficas, sociais e busquem sobretudo a progressão humana, a dignidade incontestavel que todas as religiões, ciencia, filosofias e tratamentos querem oferecer. o que não cabe mesmo é perseguição religiosa, perseguição aos homossexuais, perseguição de nenhuma ordem. O conselho de ética de psicologia deveria, inclusive justificar que o fato de  um profissional professar sua fé não traz em si nenhum problema. se ela é profissional e frequenta uma linha religiosa ésob este ponto de vista que ela vai viver. vai até ela quem se interessar por isso. Ou quem aprouver de resultados. se ela é esotérica, é sob este ponto de vista que ela verá o mundo. Cada um traz uma bagagem em si próprio que não pode ser apagada. Não acredito totalmente em patologia homossexual mas acredito em casos de homossexuais patologicos. não acredito na mudança de homossexual em hetero, mas há casos de comportamento homossexual. e quem o é sabe perfeitammente disso. muitas são as situações, casos, estudos de caso e a cada um uma aplicação. no mais, respeito a todos.
    vivam e deixem viver.`´E simples, basta não solenizar demais as coisas. aos grupos homossexuais, os quais respeito integralmente: preocupem com disseminação de doenças, do uso de drogas, com a pedofilia, o descuido e o descaso, com a educação, com o profissionalismo e sobretudo com a formação humana integral. aquele homossexual, que estuda, trabalha, tem uma vida digna, respeita as leis, sequer se preocupa com estes detalhes porque esta bem informado, formado epreparado para a vida. Chega de marginalização, viver sob o signo da falta de zelo. vida respeitosa, solene  manisfestação humana. somos todos iguais, merecemos tratamentos e respeito iguais, temos nossas escolhas e responsabilidades. então só nos cabe os nossos direitos. aos demais boa discussão, espalhem bastante boatos, especulações mas sobretudo, estudem e pesquisem bastante sem juizo de valor. senão será um eterno cabo de guerra sem vencedores, nem perdedores somente prejudicados.