Vaticano não deixa mais você pedir deserção da Igreja Católica

Fontes: Friendly AtheistCount Me Out, ateus do Brasil.

Editora: Rayssa Gon

A Igreja Católica está se afundando mais e mais em suas ações.

Uma coisa que poucas pessoas conheciam mas que com o advento da Internet e das notícias de pedofilia acabou se tornando popular é que era possível desertar da Igreja Católica. Era. Em agosto deste ano, o Vaticano passou uma lei canônica chamada Omnium in Mentem que sumiu com todas as referências formais aos processos de deserção e removia todos os efeitos da revisão de 1983 que facilitava o processo.

Não está exatamente claro quais são os efeitos dessa lei, pois não se sabe se há outros métodos de deserção da Igreja — ela não fala. Entretanto, isso afeta negativamente todas as pessoas que desejam sair da Igreja como forma de protesto ou atualização cadastral, já que a Igreja não considera mais os atos de deserção como desligamento entre a pessoa e a instituição. Outra implicação negativa está no fato de que você não pode sair da igreja, se divorciar, casar de novo e voltar a ser associado sem as implicações normais que isso causaria se não ocorresse — leia-se excomunhão.

Tal ação da Igreja Católica aparentemente tem o objetivo de estancar a vazão de religiosos que não querem mais ter nada a ver com a instituição, ou cortar custos com pessoal — visto que os pedidos aumentaram exponencialmente ultimamente — ou ainda tentar manter uma renda em países como a Alemanha, que distribui impostos para as igrejas baseado na porcentagem da população que se declara pertencer à tais igrejas.

Seja qual for o motivo, é uma safadeza oculta como às que eles têm o costume de fazer.

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postado por Rayssa Gon em 8. Bule News,Laicismo,Religião
  • http://www.twitter.com/boni_bo Francisco Boni

    A ICAR é como um animal abatido, debatendo-se em esgares de suplício, que agoniza murmurosamente, mas custa a morrer. Digno da mais profunda pena. Não passarão! Alvíssaras!

  • http://alexrnbr.wordpress.com Alex Rodrigues

    Eu quero ser excomungado… como faz?

    Sempre que converso com alguém sobre isso, o pessoal fala “bobagem”, “pra quê?”, “que relevância tem isso?”, e coisas do tipo…

    Bom, pergunto a essas pessoas: vc se sentiria confortável se seu nome figurasse em algum lugar como sendo filiado a um partido político que vc abomina?

    Pois é… a ICAR é uma instituição que abomino, e eu gostaria de apagar qualquer registro de que eu tenha sido batizado nessa bosta… simples assim…

  • http://rafaelraffer.blogspot.com Rafael Ferreira

    A matéria está ótima.
    O que vou falar não é referente a sua ideia descrita, não me entenda mal.
    Mas, se alguem desistir da igreja sem ultilização de um processo, vai acontecer o que? Ir pro SPC? Perde os direitos civis? Ou são castigados com os metodos da igreja? Crussificado? Queimado?
    Acho que nenhum deles né?!
    Só acho muita estupidez alguém querer sair formalmente de algo que não vale nada.

  • T. Guerra

    Em essência, não vejo como isso poderia ser um problema para os não-católicos. No caso alemão, antes seria interessante saber se as estatísticas são feitas com base nas pessoas que se dizem católicas ou nos registros da ICAR. Se for a segunda opção, então seria um problema de maior gravidade.

    Quando abandonei o cristianismo, minha forma de protesto foi aderir ao ateísmo militante, que considero mais efetivo que apenas “pedir pra sair”.

    Eu me lembro de um jogo de computador em que o objetivo era administrar um parque de diversões, obtendo o maior número de visitantes no menor espaço de tempo. Uma estratégia para que eles não deixassem o parque era… destruir o caminho que levava à saída. Infelizmente, o efeito imediato disse era a impopularidade. No caso da ICAR, vejo isso como mera questão burocrática.

    Mais ou menos com o que aconteceu com os deuses egípcios, nórdicos, gregos, etc. Se ninguém mais acreditar neles, eles deixam de existir.

  • http://presencadapeste.blogspot.com rayssa gon

    eu pediria minha excomunhão… mas eu nem sou batizada.

    ;)

  • Luciano Finoti

    Engraçado é q eu soube q podia se pedir a anulação do batismo da boca de um padre, q fez esse comentário durante um batizado o qual eu estava fotografando.

  • http://www.formspring.me/glauciopigati Gláucio Pigati

    Concordo com o Alex.
    Na verdade eu nunca tinha pensado nisso, mas com certeza eu não quero ter meu nome associado a essa instituição.
    É uma simples questão de coerência, que aliás é um dos preceitos básicos para alguém que tenta difundir o pensamento lógico e racional.

    Também quero ser excomungado.

  • T. Guerra

    Afinal, qual o valor da excomunhão para o excomungado?
    Quando penso naqueles médicos que realizaram um aborto na menina de 11 anos (acho que eram 11) e foram excomungado e isso até gerou uma certa repercussão, me pergunto se eles ao menos eram católicos.

    Esse caso serviu mais ainda para mostrar como a (i)moral bíblica é retrógrada, mas imponente. A excomunhão perdeu seu caráter ostracista nos lugares onde a informação é abundante e não há religião dominante.

    A propósito, eu fui excomungado e nem precisei pedir por isso. Bastou eu me tornar um apóstata que isso gerou minha “excomunhão automática”. Mas, claro, para mim isso nunca significou nada.

  • Caruê

    Se eu fosse batizado, também iria querer ser excomungado.

  • Everton

    Bom… Se você estuprar alguém não será excomungado:

    http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3618025-EI5030,00-Suspeito+de+estupro+nao+pode+ser+excomungado+diz+arcebispo.html

    Você pode seguir os passos abaixo, que a International Atheistic Secular Humanist Conspiracy [Canada Division] fez. O LIHS poderia criar um documento semelhante para os BRs…

    http://www.atheistfoundation.org.au/articles/easy-steps-excommunication

  • Paulo

    É o “Minstério da Verdade”, de George Orwell, em ação… Imagina o que não fariam se estivessem no poder ainda. Mas espera aí, ainda são o poder no Vaticano! Deve ser por isso que o Papa ainda não foi deposto…

    E tem gente que defende mais religião no Estado!

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Minist%C3%A9rio_da_Verdade_(1984)

  • Chris

    Eu fui batizado, realmente é algo que também nunca tinha pensado.

    Poderiamos divulgar mais isso, já que a igreja católica calcula o numero pelos ‘batizados’ (que são batizados involuntariamente na maioria dos casos) seria coerente movimentarmos uma ‘campanha’ se é que posso falar assim, para as pessoas interessadas poderem se desconectar por inteiro dessa instituição vergonhosa =)

    o que vocês acham?
    abraços!

  • Hudson Lacerda

    Contactei o Ludwig Krippahl do blogue “ktreta” http://ktreta.blogspot.com/ e ele disse que há equívoco neste texto do Bule. Segundo ele, esse “motu proprio, omnium in mentem, é de 2009 e não altera nada do código canónico que diga respeito ao pedido formal de apostasia. Apenas esclarece umas passagens acerca da ordenação dos padres e do matrimónio.” E indica onde encontrar o texto integral:
    http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20091026_codex-iuris-canonici_po.html

  • Hudson Lacerda

    Corrigindo: Ludwig disse PENSA “que há algum equívoco” (sem afirmar onde estaria o equívoco).

    Fui ver o sítio Count Me Out e encontrei isto:
    http://www.countmeout.ie/suspension/
    “Because of this uncertainty, we have taken the decision to suspend the creation of declarations of defection via CountMeOut.ie from today (12th October 2010).

    In response to this, the Church in Ireland released the following statement to RTE News:

    «The Holy See confirmed at the end of August that it was introducing changes to Canon Law and as a result it will no longer be possible to formally defect from the Catholic Church. This will not alter the fact that many people can defect from the Church, and continue to do so, albeit not through a formal process. This is a change that will affect the Church throughout the world. The Archdiocese of Dublin plans to maintain a register to note the expressed desire of those who wish to defect. Details will be communicated to those involved in the process when they are finalised. Last year 229 people formally defected from the Church through the Archdiocese of Dublin. 312 have done so, so far this year.»”

  • http://radiacaodefundo.haaan.com Pedro Almeida

    o grande absurdo é q o background disto é, provavelmente, mais uma vez estelionato: como continuar ganhando a grana dos impostos que sao recolhidos com base na quantidade de fiéis, q é claro, sao feitas baseado em registros de batismo, e nao em censos.

    agora, ninguem mais deixa de ser católico, i.e., a icar trava aqui a “evasão de divisas” a seu favor que tem decrescido.

  • Mauricio

    T. Guerra

    “Quando penso naqueles médicos que realizaram um aborto na menina de 11 anos (acho que eram 11)”

    Na verdade era uma menina de 9 anos.

    A igreja mostra sua verdadeira face com esses atos, vou dar uma corrida atraz disso, sei que fui batizado, e não quero nem o meu nome perto dessa organização corrupta.

  • Ateísta Capixaba Netto

    Hitler e Companhia estes Não querem que estejam em suas Fileiras, Mas estes sempre tiveram Orgulho e Nunca a Abandonaram.
    Para manter o Caixa vertendo Verba pública começaram a apelar.

  • Meire

    Para o Tribunal Eclesiástico, ser excomungado não anula o batismo e é uma condição reversível. A única forma de exonerar-se da ICAR era a deserção mesmo. Mas como alguém disse acima, para quem é ateu e não imputa significado nenhum à igreja, seria uma mera formalidade irrelevante do ponto de vista prático.

  • Chris

    Seria de certa forma irrelevante de fato. Mas..
    buscar o direito para quem o deseja (eu também no caso) é algo que a Igreja não pode negar de forma alguma.
    Eu gostaria que alguma pessoa notória, autoridade (como Dawkins), requisitasse isso em nome de todos.. seria algo chocante, porém é algo que não se pode negar a nós.

    Aí eu gostaria de ver a Igreja falando das porcentagens de religiosos ao redor do mundo :)

  • Marcelo Gaio

    A excomunhao so teria algum valor ou consequencia se o homem realmente fosse integrado a igreja. se ele pretendesse algum cargo na igreja, alguma nomeaçao, ordenaçao etc.

    No horizonte religioso, embora os sacerdotes excomungados sejam proibidos de batizar, sacramentar, comungar, ungir, celebrar missa etc, todos esse procedimentos ainda seriam ‘validos’, apesar de ‘ilicitos’. O sacerdote cai na clandestinidade, grosso modo.

    Ja pro povo mesmo, nao faria diferença ser excomungado. a nao ser por questao pessoal.

  • Everton

    Bom…podemos ser desbatizados conforme já comentado aq no bule.

    http://bulevoador.com.br/2010/07/21/ateu-faz-cerimonia-de-%E2%80%98desbatismo%E2%80%99-com-secador-de-cabelo/

    Ai, teríamos um certificado de desbatismo, o qual no futuro lutaríamos para sermos des-desbatizados, e o processo repetiria Ad infinitum. Ou algo assim… Ah, vocês entenderam! :o )

  • http://confissoesd1nerd.blogspot.com/ Confissões de um Nerd

    Mesmo se o cara for muleque,não vai dar pra ele pedir pra sair?

  • http://presencadapeste.blogspot.com rayssa gon

    não, senhor nerd confessor.

    nada de pedir pra sair.

    mas como lembrou o everton, tem como ser desbatizado. eu mesma cobro só R$ 500,00 pela cerimonia. tem até lembrancinha.

    vcs podem procurar por formas de pagamento lá no blog, ok?

  • http://mamaecintia.blogspot.com Artemis Keladeine

    Eu sou mulher, então tá fácil.

    Vou dizer que abortei o.O

    Excomunhão automática, não?

  • http://umaateiadebomhumor.blogspot.com/ Åsa Heuser

    O Vaticano está desesperado.
    :p

  • Hudson Lacerda

    Tá mais difícil que escapar de empresa de telefonia…

  • Homero

    Hudson: “Tá mais difícil que escapar de empresa de telefonia…”

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..:-) Morri de rir aqui..:-) “Vamos estar entrando em contato com o Arcanjo Gabriel para estar fazendo o desligamento assim que possível, anote o número do protocolo divino para acompanhar e descomunhão”.

    Maravilha..:-)

    Essa coisa da Igreja Catolica não deixar ninguém “sair” da religião, para contabilizar “grandes números de seguidores” me lembrou o livro de Nicolai Gogol, Almas mortas. Na Russia tzarista os camponeses eram “servos de gleba” e pertenciam as terras e fazendos onde nasciam. Eram propriedades e contavam como “almas” no valor dos imóveis.

    O “heroi” do filmes viajava pelo interior da Russia e “comprava” almas, de camponeses já mortos, por uma ninharia. E usava essa contabilidade para empréstimos, garantias e negócios.

    Como o Icar e seus “milhões” de seguidores..:-)

    Para a maioria, não faz diferença mesmo, se a Icar deixa ou não se “desfiliar”, mas que é desonesto, isso é.

    Homero

  • felipe

    O Vatiano está desesperado.(2)
    http://tinyurl.com/dndby

    Esses pedobears de vestido branco sempre se superam no quesito malandragem.

  • Na

    E se a gente reclamar lá no SAC Divino?
    http://sacdivino.org/

  • Pena Ajena

    Pessoal

    O caminho das pedras está aqui: Apostasia Coletiva Brasil

    http://apostasiacoletiva.wordpress.com/como-apostatar/carta-de-apostasia/

    É necessária a Carta de Apostasia.

    Abs!

  • @minerio

    Caramba Marcelo, que bacana!
    Esta “legislação” está correta?
    Vou levar hoje mesmo para a igreja em que fui batizado!
    Valu!

  • Mauricio

    Meire

    “Mas como alguém disse acima, para quem é ateu e não imputa significado nenhum à igreja, seria uma mera formalidade irrelevante do ponto de vista prático.”

    Seria so mesmo para eu demonstrar meu descontentamento com a igreja, mas acho que eu ja faço isso XD

  • Pena Ajena

    Eu entendo e acho váidos ambos os raciocínios.

    Para uns, a ligação com a ICAR nada representa, e não há motivos para o desbatismo. Para outros, a apostasia tem um significado de protesto ou catarse.

    Nos dois casos, as posturas tem um alcance limitado, pouco além da esfera pessoal. E qualquer juizo de valor, acredito eu, deve respeitar as opções individuais.

    Entretanto, para que a apostasia tenha uma função política (no sentido mais amplo do termo), para que sirva ao propósito de afirmação do agnosticismo/ateísmo e tenha visibilidade, é necessário que seja um movimento organizado e coletivo.

    Neste caso, todos passam a ter uma outra perspectiva, que vai muito além da esfera pessoal. E o alcance deste movimento – se bem dirigido – pode levar a conquistas importantes.

    Abs!

  • Caio

    Moral da historia, nao batizemos nossos filhos, nem mesmo em respeito a nossas iludidas avós!

  • http://biblianua.vilabol.uol.com.br/index.htm Nivaldo

    Eu penso na apostasia de uma igreja que segue Jesus e os 12 apóstolos como a apostasia de uma igreja que segue Branca de Neve e os 7 anõezinhos.
    Sou batizado católico, fiz renovação do batismo aos 11 anos e crisma aos 16. Já me incomodei com isso, não me incomodo mais com essa burocracia, e o que posso fazer para alfinetar a santa igreja, eu faço sem incômodo.
    E pior para eles se não me desassociam , só para irritar digo que sou Ateu Católico Apostólico Romano, e se alguém me processar por preconceito religioso, meus documentos católicos estão lá na gaveta. Em outras palavras, eu posso critica-los com imunidade garantida. Deixo como está porque isso não muda minha descrença, e me poupo desse trabalho inútil de apostasia de uma instituição que segue o que não existe.
    :)

  • nadson

    Vejam só, será que a excomungam?
    http://bit.ly/cqpzFC