Não existe palmada bem dada

Autora: Suzana Herculano-Houzel

Fonte: A neurocientista de plantão

Editor: Alex Rodrigues

Ah, que coisa boa ver projetos sensatos, coerentes e inteligentes de legislação.

Concordo que pais que dão uma palmada em seus filhos não devam ir presos, mas já era hora de a sociedade parar de achar normal crianças levarem palmadas, beliscões e puxões de orelha.

Como esperar ter uma sociedade de adultos que repudiam a violência quando eles crescem aprendendo que palmadas são uma punição “necessária” e ouvindo seus pais e pares dizendo que “batem para educar”?

A neurociência já aprendeu que violência muda o cérebro e gera mais violência (ou impotência, meio caminho andado para a depressão).

 

Aqui em casa se conversa”

E como fica o amor de um filho por seus pais agressores? Misturado com medo?

Para meus filhos, certamente não: deles quero apenas afeto e admiração, sem jamais uma mácula de medo no olhar.

Medo deveria ser a última coisa que uma criança precisasse sentir dos pais.

E antes que proteste o leitor que acha necessário aplicar palmadas para educar e ironize perguntando, provocador, se de fato jamais bati em meus filhos: não, jamais.

Aqui em casa se conversa.

Quem sabe falar não precisa bater.

a

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  1. DEUS NÃO EXISTE!
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postado por Alex Rodrigues em Direitos Humanos,Educação
  • daniel

    Nao concordo. Acho que tem projetos mto mais importantes e urgentes do que proibir uma forma de educacao q ao meu ver nao eh prejudicial. Fui criado recebendo palmada qnd necessario e nunca briguei na minha vida. Desnecessario..

  • Shikus

    Certíssimo!
    Eu já vinha batendo nesta tecla nas minhas conversas informais. Já cansei de ver estudos e mais estudos que mostram o mau que este tipo de atitude – palmadas, beliscões, puxões – fazem às crianças, transformando-as em adultos problemáticos. O povo já deveria ter aprendido isso, mas não, se recusam a se reeducar, dizem que é o “único jeito”. Já que o povo não quer mudar, que seja na marra, via intervenção estatal. Violência só gera violência e quem enche a boca para reclamar o seu “direito” de molestar crianças não merece tê-las por perto.

  • http://bardoateu.blogspot.com Wagner Kirmse Caldas

    Excelente post.

    Sou adepto da conversa há muito tempo.

    Fui criado, é verdade, na base do cinto dobrado. Meu pai, já na fase dos 50 anos, me pediu perdão e justificou seus atos na sua criação, á base da mesma regulação. É interessante como reproduzimos o meio, como nos parece certo a forma que fomos criados, quando da violância. É comum ouvirmos: “as surras moldaram quem sou”, “apanhei, mas, agradeço a meus pais por isso, eu seria alguém pior se não fossem pelas surras”. Será que moldou mesmo?

    Costumo dizer que, ao bater em um filho, o pai não está castigando a criança, mas, sim, descontando sua frustração pela incapacidade de educar e corrigr os filhos, num acesso de raiva.

    Não posso negar que, as vezes, o impulso de bater vem à cabeça, porém, procuro ficar lívido nessa hora. Peço para o filho ir para o quarto, pois, mais tarde vou conversar. Não adianta tentar conversar na hora que o “sangue está quente”.

    Fiquei muito feliz com essa ação. A criança se sente humilhada, diminuída frente à uma surra, isso, sem contar a covardia da força desproporcional e da incapacidade de defesa do menor.

    Espero que, um dia, as agressões psicológicas também entrem nesse rol de castigos proibidos.

    Belo post.

  • Loli

    O governo quer banir as punições corporais? Ótimo! Porém, qual alternativa será oferecida aos pais que vem empregando essa forma de disciplina? Se eles batem porque não sabem dialogar, então como procederão se não puderem mais bater? Não se pode esperar que esses pais, por mágica, aprendam a dialogar com os filhos. É preciso que eles sejam treinados para isso. O governo tem que oferecer algum serviço de orientação. Do contrário, a lei não surtirá efeito, ou pior, causará mais danos à sociedade. Porque o castigo físico é um método ruim, mas ao menos é um método! Será terrível se os jovens não tiverem nenhuma forma de educação.

  • http://bardoateu.blogspot.com Wagner Kirmse Caldas

    Loli

    Sério? Você considera a agressão uma forma de educação?

    Concordo com você sobre o fato de que os pais devem ser orientados no trato da educação dos filhos. Mas, considerar a “surra” como um instrumento educativo, penso ser isso arcaico.

    Até entendo que vivemos uma “sociedade disciplinar” (Foucault), porém, concordar com os intrumentos de “docilização” dos corpos e, chamá-los de forma de educação, apenas corrobora o sentido de uma sociedade que vigia e pune. Trazer o arquétipo da prisão para dentro de casa é reproduzir o mesmo sistema que me vigia por ser ateu, por exemplo.

    Penso que temos que ter alternativas, porém, não podemos sustentar esse sistema dominante, repressor e adestrador.

    Abraço

  • http://mamaecintia.blogspot.com Artemis Keladeine

    Eu não acredito que esse projeto irá ser aprovado de fato. Existe uma enorme resistência.
    A grande boa surpresa foi a enorme quantidade de adeptos que ‘saíram do armário’, e estão mostrando que existe SIM educação sem agressão.

    Participo a bastante tempo da campanha ‘Bater em criança é covardia’
    http://www.bateremcriancaecovardia.com.br/

    Tem também outra campanha bem bonita, ‘Não bata, eduque’
    http://www.naobataeduque.org.br/site/home/index.php

    Não vejo diferença entre bater na mulher porque ela gastou o dinheiro em roupa cara, na diarista porque queimou o arroz, no negro porque era vagabundo e queria fugir da fazenda ou na criança que quebrou o vaso.

    Não vejo como um tapa poderia ser mais duradouro que uma conversa. Em 5 anos, aprendi muita coisa: e que só batemos quando nos descontrolamos, e não quando a criança ‘merece’.

  • Bosco

    Loli, (é o estado quer banir a cultura da violência).

    Se a grande maioria dos pais são religiosos e o catecismo ensina que um pai pode castigar e até matar um filho que lhe desobeça. Como poderá ser feita essa conciêntização pelo estado laico? Nas escolas? Mas as escolas e não as famílias são obrigadas a oferecer o ensino religioso, que na verdade é apenas um proselitismo da religião do professor ou do diretor da escola.

    Então como podemos culpar o estado que constitucionalmente é laico se há uma pressão da própria sociedade por uma educação e até uma legislação com principios bíblicos retrógrados?

    Ou vamos abandonar de vêz os princípios bíblicos do proselitismo religioso nas ecolas e adotar uma educação secular para que as pessoas hajam com a razão.

  • Bosco

    Loli,

    Tenho uma amiga prostituta analfabeta que criou tres filhos sem marido e sem violência.

    Um deles é excepcional. Ela nunca precisou bater em nenhum deles. Apesar das dificuldades do meio em que conviveu com eles, conseguiu educa-los com esmero, acompanhando-os na escola e preocupando-se com vacinas, saúde e com as necessidades básicas deles.

    Por outro lado você deve ter estudo, vive num meio civilizado e acha que aos sem estudo só resta educar com violência.

    Ledo engano, a pouco tempo atrás uma promotora foi presa por torturar uma filha adotiva. O que é que o governo teve a vêr com isso? Não era uma promotora educada e ciente da lêi?

    Como você vêr, a visão de educação dessa amiga prostituta é totalmente diferente da sua visão e da visão da promotora, duas pessoas educadas que aprovam a violência como forma de educação.

    Para com essa história de que tudo é culpa do governo!

  • Rafael Cardoso

    Concordo em gênero e grau com a autora do texto. É uma péssima idéia tratar as crianças com tapas e beliscões. Em quase 99% dos casos o resultado é sempre o mesmo: depressão ou mais violência. Uma analogia muito bem colocada nesse caso é o q acontece nas prisões do mundo inteiro(principalmente aqui no Brasil). O infeliz comete um crime, por exemplo, rouba um pão para comer, e é jogado na prisão como um saco de lixo no lixão. Lá, independentemente dos seus crimes e de seu caráter, ele aprende(com a violência q domina esses locais) tudo o q não é bom. Ao sair de lá, ele está formado na escola do crime e inevitavelmente vai começar a “trabalhar”. Conclusão: violência desnecessária e gratuita gera violência!
    Logo, o mais correto é mesmo q haja uma Lei q criminalize esse tipo coisa.

  • Gerson B

    Sorte de quem tem filho que dialoga e aceita argumentação. Nem sempre é assim.

    Não gosto de mais uma interferência do govêrno na vida privada. Legislação contra agressão, já existe, mas não é cumprida. É mais fácil fazer mais uma lei que cumprir as existentes. Embora eu reconheça que é difícil estabelecer uma medida quantitativa. Mas imagino quando um pai usar a força para tirar um filho esperneante de uma loja se isso não causará sua prisão. E o filho, irá para um orfanato, se os pais forem presos por causa de uma palmada? E receio as chantagens contra os pais, tem vários aspectos aí que ativam meu desconfiômetro.

  • Lisa Vecchia

    Concordo plenamente!
    Aliás, fantástica colocação: “Quem sabe falar não precisa bater”.

    Infelizmente este é apenas um passo. A pesar de não concordar com o(a) Loli, ele(a) está certo(a) em uma coisa: algumas pessoas não sabem dialogar. Vemos inúmeros pais que educaram seus filhos a base de castigos físicos (como beslicões, palmadas, torções, etc.) e psicológicos (como chantagem emocional ou violência verbal por exemplo) e quando o filho está mais crescido e deixa de ter medo, estes passam a querer dialogar. É aí que ouvimos a tal frase “Mas ele não conversa comigo!”. Chega a ser piada!

    Mas enfim, é inegável que foi um belo passo.

  • http://mamaecintia.blogspot.com Artemis Keladeine

    Gerson B,

    Como assim ‘aceita argumentação’? De verdade, meu filho mais velho tem CINCO anos. Não existe maneira de ele ser mais forte do que eu. Se ele se nega a conversar e prefere gritar ou rebater, eu simplesmente o levo para o quarto dele, até que ele se acalme. Ele aprendeu a conversar com os anos, ele sabe que simplesmente não conseguirá o que deseja gritando. Sou pequena, mas tremendamente mais forte do que uma criança de 15Kgs pode ser.

    Estamos falando de crianças, menores, menos ágeis e menos vividas. Simplesmente não sou ‘coleguinha’ dos meus filhos, e eles respeitam isso (na maior parte das vezes). Se não respeitam por raiva, bom, eu dou algum tempo para que se acalmem e explico a situação. Se não respeitam por alguma limitação da idade, paciência, né, é uma limitação e o tempo resolverá.

  • Bosco

    Gerson B,
    se o filho esperneia na loja é porque já esperneou muito mais em casa sem contudo ser recriminado. Aí é um problema do pai tira-lo da loja sem “usar da fôrça” como você bem disse. A lei não vai interferir na educação de ninguem. Apenas impedirá que pessoas continuem “educando” crianças através da força. Que nada mais é um eufemismo de violência. Será tão dificil um entendimento entre pais e filhos que vivem num mesmo teto.

    Não acho que denunciar uma violência seja chantagem, pelo contrário, acho um ato de coragem e de generosidade.

    A bíblia autoriza castigos físicos e até a morte de um filho desobediente ao pai.

    Mas a lei não pode ser feita aluz de um livro de mitologia.

    E as crianças até agradecem isso.

  • Gerson B

    E o que tem a bíblia com isso?

  • http://bardoateu.blogspot.com Wagner Kirmse Caldas

    Gerson B

    A cultura da surra, no ocidente, é herança da cultura hebraica, que passou a ser adotada pelo cristianismo.

    Em provérbios a bíblia diz:

    “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele”(Pv.22:6).

    “Castiga a teu filho, enquanto ainda há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv.19:18).

    “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv.22:15)

    “Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com vara não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv.23:13,14)

    Assim, nossa sociedade cristã, baseia o ato do castigo nestas passagens. Quantas vezes ouvia meus avós e pais falarem sobre a correção pela “vara”.

    Não se assute se muitas pessoas questionarem essa lei baseadas nas escrituras. Dirão que deus autoriza a correção através de castigos físicos.

    É ai que entra a bíblia, esse livro mal escrito e mal intencionado. Ela tem a ver quando ensina o castigo, ela tem a ver quando dá amaparo para a surra, ela tem a ver quando diz que a agressão é uma forma de educar.

    Ants de terminar esse texto, dei uma parada e pesquisei, olhe o que encontrei: http://comunhaobrasiia.blogspot.com/2010/07/governo-lula-quer-proibir-pais-de.html

    Como eu havia dito antes. Em breve os teístas vão chiar …

    Abraço

  • Gerson B

    Não estou citando e/ou me baseando na bíblia. Só estou dizendo que as coisas não são tão simples.

    Antigamente eu achava simples, que bastava dialogar. Li Summerhill, Rainer, Rogers, Reich e Illich. E outros. Tudo maravilhoso na teoria.

    Hoje acho a coisa mais complicada. E estou vendo gente com certezas demais sobre algo difícil na prática.

    E é mais um poder dado ao govêrno de agir na vida privada.

    P.S. A biblia é mal escrita, mas nem sempre é mal-intencionada.

  • http://bardoateu.blogspot.com Wagner Kirmse Caldas

    Gerson B

    Entendo o que quer dizer com o fato do Governo ter mais uma forma de influenciar na vida privada, porém, coloco os castigo infantil no mesmo nível da agressão à mulher por exemplo. Ora, se eu bater em minha mulher, posso ir preso, porque o mesmo rigor não é exercido quando a vítima é uma criança? Se pensarmos bem, entre a mulher e a criança, a primeira tem mais meios de defesa que a segunda.

    Quando dizem: “o filho é meu e eu educo como quiser”, pra mim soa como se estivesse comparando à um animal a ser adestrado.

    Pode ser que o Governo tenha apertado mais o cerco, porém, nao foi no sentido de agir na minha vida privada, mas, sim no sentido de estender o sentido de proteção a um grupo que ainda não tinha esse direito.

    [OFF]P.S. A biblia é mal escrita, mas nem sempre é mal-intencionada.

    Prezado, a bíblia pode até não ser mal intencionada por ser um objeto sem vontade, porém, foi erguida e elaborada como um instrumento de controle dos corpos. Ela foi organizada no ano 382 do calendário atual. Não tem como não ser por intenção de dominar e docilizar os corpos.[/OFF]

  • http://mamaecintia.blogspot.com Artemis Keladeine

    Bosco,

    apenas discordo de um ponto. Não acredito que a criança (pequena, perto dos dois anos) faz escândalo no mercado porque não foi ‘recriminada’ em casa. Uma criancinha tem sua fase de pior comunicação, pode estar com sono, cansada, etc.

    Sempre usei a tática recomendada por uma mulher que admiro muito: tire o meliantezinho da cena do crime rs. É incrível, somos muito mais fortes que uma criança, é só pegar a criança e sair calmamente a criatura gritona. Podem me olhar com a maior cara feia do mundo, não vou basear a educação dos meus filhos pelo olhar de desconhecidos.

  • Bosco

    Artemis Keladeine;

    Concordo contigo.

  • Gerson B

    Wagner, não sei se toda menção ao castigo corporal tem origem bíblica. Talvez tenha relação com o patriarcado de forma mais ampla. Na cultura chinesa antiga há quem o defenda, por exemplo. Mas não tenho conhecimento de antropologia, sociologia ou história para generalizar.

    E é óbvio que a bíblia como objeto não tem vontade. O que quis dizer é que nem todo autor de cada passagem era mal intencionado ao escreve-la. Muita gente faz as maiores ***** cheio de boas intenções. Mas claro que em muitos pedaços há intenções políticas e de manipulação.

  • http://bardoateu.blogspot.com Wagner Kirmse Caldas

    Gerson B

    Com certeza, nem toda, por isso assinalei a cultura ocidental.

    Porém, você citou o patriarcalismo como possível gerador, também concordo, mas, historicamente falando, os hebreus utilizavam o sistema patriarcal, o qual foi reproduzido pels cristãos.

    Claro que diversos outros povos também o faziam. Mas, como você, também não domino as áreas de antropologia, sociologia ou história antiga.

    São apenas conjecturas.

    []s

  • http://www.fboni.me Francisco Boni Neto

    Quem acha que palmada ou qualquer agressão física resolve, quero que apresente um só estudo neurocientífico ou psicológico estatístico revisado por pares publicado em um período de alto grau de impacto que aponte que a autoridade coercitiva é o melhor modelo de gerenciamento parental.

    Até hoje quem estuda o comportamento e a mente a fundo (especialistas) mostram que o modelo democrático participativo é o melhor modelo na criação dos filhos.

  • http://www.fboni.me Francisco Boni Neto

    O engraçado é ver leigos criticando opniões de quem não é preguiçoso e senta a bunda pra estudar, durante anos, estatísticas relacionadas ao comportamento humano e a mente humana.

    É como se a Física Quântica do Vaticano tivesse mais relevância que a Física Quântica praticada pela Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN).

  • Carlos

    Com os meus tios – confesso -, fui “educado à base de ‘currião’ dobrado e chineladas-solado-pneu na ‘cara’ “. Sem comentários!… Minha “mãe” apenas “puxou-me” a orelha uma vez só. Mega sorte!!!… Pois, quando ela batia PRÁ VALER nas minha outras irmãs, era com tais instrumentos que ela tinha à mão no momento: panela, concha, vara, purrete, “currião”, chinelo, mão, vassoura, faca etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc… … … Sem comentários!…

  • Fatima

    Se, de um lado, aprecio a intenção do legislador quando da elaboração de dita proposta (que visa, a priori, proteger a integralidade física/psíquica do infante), de outro, temo propostas legislativas que invadam, cada vez mais, a seara da vida privada das pessoas.

    Como exemplo alternativo, cito a discussão relativa ao direito dos pais em escolher a forma da educação dos filhos: o Estado entende que os pais têm obrigação de manter os filhos em escola, enquanto que alguns pais entendem que a melhor educação pode ser obtida em casa, por meio do mecanismo conhecido como ‘homeschooling’. Vejam a respeito: http://veja.abril.com.br/250401/p_074.html e http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u416702.shtml

    Quanto ao cerne da questão, minha mãe também reproduziu em mim e em meu irmão o modelo de educação que recebeu de seu irmão mais velho (cinta de couro no couro) e, mesmo ainda criança, achava aquilo muito injusto e pensava, em momentos de raiva “quando eu crescer, ela vai ver”. Isso foi péssimo e não desejo que minha filha – ou filhos de quem quer que seja – que sejam submetidos a isso.

    Com ou sem a melhor das intenções, castigos físicos são errados e ineficazes.. A adoção de um meio não-ético” para a obtenção de um ‘fim-ético’ não pode ser admitido em uma sociedade civilizada.

  • http://www.meujoystick.wordpress.com Judson

    Muito boa iniciativa, mas deveriam mesmo dar algum suporte aos pais com dificuldades.
    Agora falta um projeto para proibir a venda de cães e gatos uma vez que exitem milhares de animais sem lar aguardando para serem adotados.

  • http://twitter.com/fatimatardelli Fatima

    Judson,

    Deveria haver uma legislação que fizesse com que os donos fossem obrigados a implantar um chip de identificação em seus animais. Se eles ‘perdessem’os bichinhos (geralmente eles perdem os bichinhos quando eles começam a dar trabalho, ou quando eles querem sair de férias, né?), poderiam ser restituídos aos donos e a restituição seria acompanhada de uma multa por negligência no cuidado.

    Toda pessoa que fosse comprar um bichinho como se compra um objeto (pensando, depois, na facilidade de se desfazer deste ‘objeto’quando ele se torna inconveniente – é só deixar na rua….) pensaria DUAS vezes.

  • http://www.fboni.me Francisco Boni Neto

    Quem apanhou quando criança e defende a ‘porrada pedagógica’ sofre de Síndrome de Estocolmo. Síndrome de Estocolmo é o fenômeno psicológico em que reféns de coerção física ou psicológica expressam adulação ou tem sentimentos positivos para com seus algozes, que são irracionais ou arracionais à luz da coerção física ou psicológica que sofreram [1].

    Evidência científica de que coerção física ou psicológica, dor ou medo, servem como estresse negativo para o desenvolvimento cognitivo da criança e o aprendizado em geral?

    De acordo com o conhecimento extraído da Neurociência atual, níveis altos de hormônios do estresse, particularmente os corticosteroides, expõem circuitos de medo e emoções negativas, que previnem (i) os efeitos de normalização de atividade desses hormônios e (ii) seus efeitos facilitadores em extinguir padrões fixos, mal-adaptatados, de aprendizado. Isso dá enfâse à importância dos hormônios do estresse para manutenção de um sistema de aprendizado e memória eficiente [2].

    Altos níveis de cortisol não só são contra-producentes no processo de aprendizado e memorização, mas também estão correlacionados positivamente com baixos níveis de saúde mental, de saúde física e de baixos níveis socioeconômicos. Indivíduos com níveis altos de problemas mentais, físicos e de níveis socioeconômicos menores reportam exposição à níveis maiores de eventos estressantes [3].

    [1] ‘Stockholm syndrome’: psychiatric diagnosis or urban myth? Namnyak M, Tufton N, Szekely R, Toal M, Worboys S, Sampson EL.Department of Psychiatry and Behavioural Sciences, Hampstead Campus, Royal Free and University College Medical School, London, UK. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18028254
    [2]: Learning under stress: how does it work?
    Joëls M, Pu Z, Wiegert O, Oitzl MS, Krugers HJ. SILS-CNS, University of Amsterdam, The Netherlands. http://njc.rockefeller.edu/PDF_BN08/Topic%204JoelsTiCSfinal.pdf
    [3]: Can poverty get under your skin? basal cortisol levels and cognitive function in children from low and high socioeconomic status. Lupie SJ, King S, Meaney MJ, McEwen BS. Laboratory of Human Psychoneuroendocrine Research, Douglas Hospital/McGill University, Lasalle, Montréal, Canada. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11523853

  • http://www.facebook.com/ThaisLinhares Thais Linhares

    Para os país que não se consideram capazes de se controlar quando seus filhos se descontrolam, sugiro a leitura o  livro: Crianças de Gênio Forte. EU fui uma criança dócil, até bobona, e tive uma dificuldade danada em lidar com meu filho que já era agitado no ventre! Neste livro entendi como funciona na cabeça do guri agitado. Foi beleza! Meus dois filhos são guris super responsáveis e conscientes. Bem socializados e bons alunos. A dificuldade que tive vejo também nos professores e outros pais. Sempre recomendo que leiam sobre o assunto antes de surtarem e apelarem pra pancadaria. Como vc colocou no artigo, metade das crianças tem uma personalidade passiva e irá se inibir e se tornar medrosa na vida. A outra metade não se intimidará nem com muita palmada, se tornarão rebeldes e revoltados.