A Girafa, o nervo laríngeo e o design pouco inteligente

Autor: Homero Ottoni

 

Inspirado pelo excelente post do amigo Adelino Santi Júnior, O Luxo da Incompetência, pensei em escrever um artigo que apresentasse um “defeito de projeto” do criador, o meu preferido: o nervo laríngeo, que controla nossa laringe e conseqüentemente a fala.

Evidentemente que não penso que seja mesmo um “erro de projeto”, já que não há um projeto envolvido. Mas, se consideramos o argumento criacionista, que afirma “ver” deus e seu trabalho na perfeição dos “projetos” naturais, temos de manter a coerência e também “ver” o erro quando o projeto falha ou é mau executado.

Vamos então ao nervo laríngeo recorrente. Ele é um nervo craniano que parte diretamente do cérebro e não da medula, como é mais comum. É uma ramificação do nervo “vago”. O nervo vago tem este nome porque ele “vagueia” pelo corpo e é utilizado em diversas funções.

 

“…seria despedido imediatamente!”

Um de seus ramos parte de cada lateral do pescoço e se dirige à laringe. Uma parte chega à laringe diretamente, como seria de se esperar em um “bom projeto”. Mas outra parte chega à ela por um caminho bem tortuoso. Ele se dirige para “baixo”, para dentro do tórax, caminha até o coração, dá a volta em uma de suas artérias e volta para cima, até atingir a laringe.

Qualquer engenheiro que dispusesse uma fiação de força, cabos de rede ou qualquer outro sistema de comunicação nesse formato, seria despedido imediatamente!

O que aconteceu com este nervo?

Para entender, vejamos a história do nervo laríngeo. A imagem abaixo é a representação do nervo original em um tubarão. Ela ilustra o plano segmentado dos vertebrados e mostra como, originalmente, era um bom “projeto” dispor o nervo vago em direção as guelras, passando por sobre a aorta ventral, comum aos peixes.

 

É importante saber que os arcos faríngeos (destino do nervo laríngeo recorrente), que nos peixes sustentam as guelras, ainda existem em nós e podem ser vistos nos embriões humanos. Eles não se transformam em guelras nos humanos, mas em nossa faringe e laringe.

Assim, quando o sistema nervoso de nosso ancestral peixe se formou, o trajeto do nervo laríngeo era simples, curto e passava sobre a aorta ventral.

Mas conforme as modificações, sempre mínimas e graduais, ocorriam com a evolução, a posição relativa dessas partes do “projeto” (sempre entre aspas) corporal se modificava. O coração migrava, suas artérias se posicionavam em novo espaço e o nervo vago, devido a sua disposição inicial, precisava ficar um “tantinho” mais longo para “contornar” a aorta (nossa aorta é fruto da aorta ventral de nosso antepassado peixe).

Um pouco mais longo em anfíbios, mais longo em répteis e bastante longo em humanos. Nosso nervo laríngeo dá uma grande volta para chegar a um ponto que está a apenas 3 ou 4 centímetros de sua origem craniana. Mas esse é apenas um exemplo médio, temos um muito mais impactante. Observe a imagem abaixo.

 

Sim, é uma girafa, e este é o trajeto que o nervo laríngeo da girafa faz para chegar a sua posição final. Como a aorta da girafa se encontra no tórax, e o tórax encontra-se muito distante do crânio, o nervo laríngeo “caminha” 4,5 metros em uma girafa adulta.

Quatro metros e meio, para chegar a uma posição a centímetros da origem do nervo.

Um engenheiro que projetasse algo assim, não seria apenas despedido, provavelmente seria proibido de praticar a profissão!

Sei que parece engraçado, e é, mas apenas se levar a sério a alegação de que seres vivos, como a girafa, foram “projetados” e construídos por um ser sobrenatural, uma inteligência suprema e infalível, perfeita (um ET superpoderoso também serviria).

 

“Explicar esse ‘erro’ de projeto é um problema sério”

Para a versão mais ingênua do mito de criação cristão, uma divindade que criou todos os seres vivos do nada, completos e prontos, há alguns milhares de anos apenas, explicar esse “erro” de projeto é um problema sério. Mesmo a versão mais “branda”, o Design Inteligente, (e sua defesa de que evoluímos, sim, mas guiados por um projetista com um propósito final) terá problemas para explicar como o “projetista” deixou isso acontecer, se ele “sabia” que a girafa acabaria surgindo.

Vou me antecipar à fuga modelo padrão quando o criacionismo/crenças enfrentam becos sem saída lógico/racionais: deus é complexo demais e muito mais inteligente que nós, então o que parece “erro de projeto” é na verdade algo “muito útil” e que não temos condições de entender.

Ou seja, talvez essa odisséia do nervo laríngeo pelo corpo, que “parece” ser perfeitamente bem explicada pela evolução, seja algo com uma função maravilhosa, perfeita, inteligente, mas nós (na verdade, os tolos e pobres cientistas) é que não compreendemos.

 

“Criacionistas custam a entender, se é que entendem algum dia”

Bem, um debate lógico precisa ser pelo menos isso: lógico. SE podemos “enxergar deus” em partes que nós, seres humanos limitados, vemos projeto e eficiência, ENTÃO podemos enxergar e analisar “um deus menos inteligente” nos erros de projeto e ineficiência.

SE nós não podemos dizer que uma evidente ineficiência ou erro de projeto é uma falha real, que demonstra um deus ou projetista pouco inteligente; ENTÃO também não podemos analisar e considerar deus no que pensamos ser eficiência e bom projeto.

Explicando melhor (porque criacionistas custam a entender, se é que entendem algum dia): se um erro evidente, um projeto ineficiente e pouco razoável não é o que parece (e sim algo maravilhoso, mas incompreensível); então, algo que parece ser a evidência de um “eficiente e bem executado” projeto pode não ser isso também, mas uma falha, um erro crasso, que nós apenas não entendemos também.

 

“O processo se deu sob o conceito da economia, chamado custo marginal”

Ou bem se alega que deus, e suas ações e intenções, podem ser compreendidas e analisadas, e temos erros de projeto, ineficácia e estupidez a rodo; ou bem deus é complexo demais para nós, incogniscivel, e não podemos nem detectá-lo na natureza, nem perceber suas maravilhas. É irracional e desonesto utilizar dois pesos e duas medidas.

Passar um nervo que sai do crânio de uma girafa por detrás de uma aorta perto do coração, a quatro metros e meio do destino desse nervo, na laringe, é, sob qualquer análise, uma estupidez, um erro de projeto.

Mas, para a evolução, ao analisar essa situação a partir do ancestral em comum, faz todo o sentido. Mais que isso, ajuda a entender como o processo se deu, quais os passos e como a exo-adaptação atua na evolução. O processo se deu sob o conceito da economia, chamado “custo marginal”. A cada passo, o “custo” envolvido em criar mais alguns milímetros ou centímetros de nervo laríngeo era ínfimo, enquanto o “custo” de mudar todos os sistemas envolvidos e gerar um novo trajeto para este nervo era grande demais (um erro em qualquer dos genes envolvidos poderia inviabilizar a sobrevivência do indivíduo).

 

“Por isso a teologia natural foi abandonada há muito tempo”

Ponto importante na evolução e base da teoria, cada mudança de comprimento do nervo, o custo de crescer mais um pouco a cada geração de girafas, não traria muito risco ou peso em termos energéticos. No entanto, mudar todo o trajeto envolveria uma grande, complexa e abrangente mudança. Talvez um mutante-girafa com o nervo indo diretamente de sua origem para a laringe fosse uma vantagem, mas o tamanho da mutação envolveria tantos aspectos e elementos, que provavelmente tornaria o indivíduo que a portasse pouco capaz de sobreviver.

Claro que para um projetista, mesmo um que se dedicasse apenas a “ajudar” de vez em quando, interferir se necessário, mudar este desenho seria fácil e esperado. Mais que isso, seria a única coisa correta a ser feita.

O número de “gambiarras” desse tipo, explicadas e esperadas evolutivamente, são enormes na natureza. Sua aparente “perfeição” não resiste a uma análise nem tão profunda assim. Teólogos do passado, mesmo sem a ciência e seu método, já haviam percebido que não é possível defender a existência de evidências de deus na natureza, sem dar de cara com os erros, falhas e aspectos daninhos da mesma. Por isso a teologia natural foi abandonada há muito tempo.

Pena que nem todo mundo leu estes teólogos, ou entendeu os problemas envolvidos em “ver deus” na aparente perfeição e projetos da natureza.

 

*************************

Para saber mais

Um dos melhores livros para compreender essas armadilhas do aparente projeto evolutivo é A Escalada do Monte Improvável, de Dawkins. Neste livro Dawkins explica como “picos” evolucionários são atingidos e como não e possível pular de um pico a outro, forçando a evolução a criar “gambiarras” e exo-adaptações.

A Escalada do Monte Improvável

Outro livro muito bom é o recente O Maior Espetáculo da Terra, de onde tirei o exemplo do nervo laríngeo recorrente e as imagens. Um dos melhores livros sobre a evolução que eu já li, também de Dawkins.

O Maior Espetáculo da Terra

 

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postado por Bule Voador em Homero Ottoni,Secularismo
  • http://alexrnbr.wordpress.com Alex

    Texto perfeito!

    Aqueles que acreditam na evolução guiada por um ser superpoderoso perdem cada vez mais terreno.

    Sobre ainda os mais moderados, que dizem que, por exemplo, o inicio da vida, a primeira proteína replicante, foi criada por um deus e depois deixada para evoluir de acordo com as leis naturais criadas por esse mesmo deus. Apesar da falta de evidências e da óbvia complexidade necessária para a existência de um deus, esse pensamento ainda povoa mentes religiosas moderadas…

    Não li “A Escalada do Monte Improvável”, mas li “O Maior Espetáculo da Terra” e recomendo demais… Recomendo tb “A Grande História da Evolução”, tb de Dawkins.

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  • Gerson B

    Muito bom!

  • Ateísta Pedro Paulo Netto

    O Maior Espetáculo da Terra na página 17 do capítulo um tem igualmente uma charge hilária zoando dos Criancionistas, que se esquecem das justificativas de sua Farsa e insistem em “detalhes”.
    Detalhes são Resultado da Seleção Natural e não da Fraude “design inteelingeente”.

  • Lucas Haeser

    Excelente Homero! Adorei a explicação sobre “dois pesos e duas medidas”. Continue com os ótimos textos e indicações de leitura!

    Aviso aos leitores: as dicas de leitura do Homero são sempre ouro puro!

  • Adelino de Santi Jr.

    Muito bom!!!!
    Adorei, me inspirando para o próximo, não vou dizer o tema pra não estragar a motivação!

    Abraços e parabéns Homero!

  • http:/darwinismo.wordpress.com Mats

    Homero,
    Há uma pequena coisa que não levaste em consideração. Evidência contra a Criação não é evidência a favor da evolução. Ou é? É isso que pensas?

    Se é assim, então o reverso também é verdade, nomeadamente, evidência contra a evolução é evidência a favor da Criação.

    COncordas?

  • Pena Ajena

    Mats

    Não se trata de evidência contra a Criação, tratada assim de modo genérico.

    O texto aponta as falhas de um argumento em particular – o Design Inteligente – que advoga a favor da intervenção de uma divindade na criação dos seres vivos. Em contrapartida, o autor oferece uma explicação satisfatória para o desenho nada inteligente, presente na natureza.

    O texto poderia restringir-se à demonstração das falhas de design, o que já refutaria o DI. A Teoria da Evolução é acessória no desmonte da argumentação criacionista. É um plus para os que procuram uma explicação natural.

    Quanto à Teoria da Evolução, ela está – e sempre esteve – aberta a refutações. Até o momento, resistiu a todas elas e – por outro lado – foi sucessivamente corroborada por novas descobertas e novos entendimentos de seus mecanismos.

    Um desafio já foi lançado pelos cientistas. Basta um só fóssil de coelho no extrato cambriano e a Teoria da Evolução será provada falsa.

    Saudações

  • http://alexrnbr.wordpress.com Alex

    Mats,

    não sei se vc leu o texto com atenção, mas o trecho que descreve a evolução do nervo faríngeo desde nossos antepassados peixes é mais uma das toneladas de evidências a favor da evolução, e não “apenas” uma refutação do criacionismo ou design (des)inteligente.

  • Adelino de Santi Jr.

    Mats,

    Você é criacionista?

  • Homero Ottoni

    Mats: “COncordas?”

    Na verdade não, pois este exemplo, esta evidência específica, não é contra o criacionismo propriamente, mas contra a alegação de “ver a perfeição de projeto” na natureza e seres vivos.

    Seria possível, por exemplo, defender que o designer decidiu, intencionalmente, permitir falhas de projeto, para manter o mistério e enganar os cientistas..:-) Nada contra, é um argumento, ad hoc, mas ainda assim serve, se desejar manter a crença.

    É claro que criacionistas não gostam dessa posição, pois ela invalida sua defesa da alegação “é evidente que deus existe, veja o projeto perfeito da natureza, só pode ser intencional”. Foi o que tentei explicar com o problema de “dois pesos e duas medidas”.

    A evolução tem centenas de milhares de evidência a favor. Esta, do erro de projeto do nervo laringeo, é só mais uma. Um desdobramento estranho, mas perfeitamente explicado por uma evolução gradual de nosso antepassado peixe para a atual girafa.

    Na verdade, não há evidências contra a evolução, por isso o criacionismo não é ciência, não produz estudos ou previsões. Ele apenas se instala em lacunas de conhecimento ainda não preenchidas.

    Não há coelhos cambrianos..:-)

    Em resumo, a evolução faz algumas previsões interessantes, neste caso específico, ela preve que erros e gambiarras surjam para corrigir estes erros, e preve exo-adaptações. Ao encontrarmos esses erros e essas gambiarras, temos evidências a favor da mesma. Já o criacionismo, neste caso específico, preve intecionalidade (e perfeição de projeto) em toda natureza, e ao se encontrar um problema como este, do nervo laringeo, temos uma refutação da alegação.

    Como eu disse, e possível manter a crença e muitas correntes teológicas e religosas, em especial as mais educadas e esclarecidas, fazem exatamente isso, admitindo que as evidências da evolução são fortes demais, e que deve ter sido a escolha do criador para gerar seres vivos.

    Apenas a teimosia mantém a fé no DI ou no criacionismo envergonhado.

    No livro O Capelão do Diabo Dawkins conta como ele, e um monte de bispos e religiosos, escreveram conjuntamente uma carta ao ministério da educação londrino, sobre sua preocupação mútua com o recrudescimento do criacionismo nas escolas, e a deficiência educacional em ciências.

    Homero

  • Hudson Lacerda

    Há de tudo. Vejam só o que encontrei: uma CRIACIONISTA que diz que a EVOLUÇÃO das espécies é IRREFUTÁVEL, e cita várias evidências:

    http://origins.swau.edu/papers/evol/marcia1/defaultp.html

  • http://darlinton.net darlinton
  • Homero Ottoni

    Sobre estratégias criacionistas e agenda oculta destes:

    The Evolution of Creationism
    http://www.csicop.org/sb/show/evolution_of_creationism

    Creationism’s Trojan Horse: The Wedge of Intelligent Design (Oxford, 2004)
    http://www.creationismstrojanhorse.com/

    Intentional Deception:
    Intelligent Design Creationism
    http://www.skeptic.com/eskeptic/04-06-01/

    Tem mais, muito mais claro, mas os textos acima já dão um boa idéia de como atuam as organizações criacionistas.

    Homero

  • Homero Ottoni

    Se alguém quiser ler o livro mencionado acima, pode baixar neste link:

    http://www.4shared.com/get/176797011/4955e3d7/Creationisms_Trojan_Horse_the_.html

    Homero

  • Homero Ottoni

    Sobre as “recorrentes” acusações contra Dawkins, de covardia, de fundamentalismo, de não debater com criacionistas “preparados”, este é um excelente vídeo para deixar as coisas mais claras.

    Em especial, a parte em que ele recomenda um livro contra o criacionismo, escrito por um cristão devoto (mas pensante).

    http://www.ted.com/talks/lang/por_br/richard_dawkins_on_militant_atheism.html

    Muito bom mesmo, vale a pena assistir os 29 minutos de palestra.

    Homero

  • Homero Ottoni

    Olá Luis Carlos

    Permita-me discordar de você, eu penso que todo DI é criacionista sim, ainda que envergonhadamente e de forma (um pouco) disfarçada..:-).Veja, não mencionar quem é o designer não muda o fato de que, deve existir, para existir o I em DI, o D. Este D deve, necessariamente, substituir a evolução como explicação sobre a origem de seres vivos, da diversidade, ou seria algo inútil no debate.

    A questão, por que existem diversos tipos de seres vivos, de onde vieram? A resposta com evidências, uma resposta recente porque antes faltavam elementos para descobri-la, é que se diversificaram a partir de um ancestral em comum.

    A alternativa é, foram criadas ou desenhadas de forma independente, da forma como estão, que surgiram como estão, foram “desenhados/projetados”. Mesmo o projeto de “partes”, como a alegação um tanto envergonhada sobre a “complexidade irredutível” indica a capacidade de interferir com o projeto, “criar” algo que não existia ou não existiria sozinho.

    Observe que nenhum defensor do DI aceitaria como agente deste projeto, digamos, alienígenas, como algumas teorias defendem (fomos “projetados” por ETs no passado, algo como o monolito negro de 2001).

    O DI é apenas uma forma de tentar levar o “debate” para a área mais aceitável pela ciência, uma vez que com os mitos religiosos isso ficou muito difícil. Não é que seja “deus” este designer, mas “algo” que tem todos os poderes de deus, suas características, sua intenção e seus objetivos, etc. Mas não é “deus”, claro que não..:-)

    Sim, nem todo cristão é maluco ou tem agenda criacionista, mas todo cristão é, precisa ser, criacionista em alguma medida. Sem isso, sem a intervenção intencional e voluntária do criador, a crença religiosa do cristianismo não faz sentido, não se sustenta.

    O Vaticano, que até o Papa anterior era um tanto mais “moderado”, aceitou a evolução (que escolha..:-), com a ressalva de que a “alma” humana era criada por deus, cada uma delas, e posta no homem intencionalmente. Há, mesmo aqui, um “criador”, e portanto, criacionismo.

    Claro que quando tratamos do “criacionismo com agenda”, estamos, claramente, falando das forças mais fanáticas e fundamentalistas, as que realmente criam estratégias, e as declaram sem problema, contra a evolução e a ciência “materialista e atéia”. O DI é fruto dessas estratégias. Os links trazem posições reais, e o livro “Trojan Horse” é bem real.

    Uma entrevista com o reitor de uma universidade cristã americana, no cinturão da Bíblia, deixa isso bem claro. Os professores dessa universidade (e de outras da região) precisam assinar um documento que declara sua crença em que Adão e Eva são personagens históricos, antepassados de toda humanidade. E ele explica que sem isso, sua religião não se sustenta, pois é desse casal que o pecado original surge, e pelo qual Jesus morreu. Sem pecado, sem Jesus, sem cristianismo. Eu acho bem coerente, ainda que infantil.

    Eu sugeriria a leitura de um texto de Dawkins e Jay Gould, em que ele explica porque não aceita convites de criacionistas (ou se envolve em bate bocas, não debates), é muito bom e muito esclarecedor.

    Seria como se Hawking tivesse de “debater” com defensores do Feng Shui sobre a física deste universo..:-)

    Sobre Dawkins e Craig, é destes debates e entrevistas que está falando?

    http://richarddawkins.net/videos/2287-dld08-life-a-gene-centric-view

    http://richarddawkins.net/videos/4012-craig-venter-the-genius-of-charles-darwin-the-uncut-interviews

    Ou com o outro Craig, o William L. Craig? Acho que este Craig escreveu livros como “A Veracidade da Fé Cristã” e “Filosofia e Cosmovisão Cristã”. A veracidade de fé cristã? Meio complicado um debate assim, não?

    Sobre possibilidades, bem, eu também aceito, como “possibilidade”, qualquer coisa que puder imaginar..:-). Já a probabilidade dessas possibilidades, é um tanto variada. Pode ser que um Designer tenha criado tudo, mas com o cuidado de não deixar pistas ou evidências de sua ação? Pode, claro. Como pode ser que alienígenas extra-dimensionais super-tecnológicos tenham gerado nosso universo para extrair energia de buracos negros para sustentar sua civilização. Também pode ser que todo universo tenha sido criado 5 minutos atras, e será destruído daqui 5 minutos, mas com tudo nele “parecendo” ser antigo, inclusive minhas memórias sobre minha vida até este momento.

    Poder, pode, tudo pode. É apenas nesse sentido que Dawkins aceita o DI como possibilidade, me parece.

    De todo modo, não acho que o trabalho de Dawkins, entre outros, seja perdido ou uma luta sem sentido, acho que ajudaram muitos a entender essas questões, e espero que essa divulgação continue a ganhar espaço. Até por isso eu escrevo os textos para o Bule, acho que algum efeito positivo deve ter..:-)

    Um abraço.

    Homero

  • Pena Ajena

    Homero

    Não perca seu tempo. O “Luiz Carlos” é o mesmo “Alec le Bleau” que foi bloqueado por trollagem. Ao perceber que seus posts foram deletados, postou de uma lan house, para mudar o endereço IP. Tentará outras vezes, mas estarei de olho.

    Um abraço

    Pena