Autor: Andreas Weiser (revista GEO alemã, tradução GEO Brasil)
Fonte: GEO
Editor: Luiz Henrique Coletto
Canibais? Nós? Imagine!
Canibais viveram na América do Sul ou na Nova Guiné – mas com certeza não na Europa! Que engano! Ainda no século 19, a antropofagia era praticada em Berlim ou Paris; embora não de forma tão grotesca como na gravura (abaixo). Na Europa, partes do corpo humano eram consumidas por razões médicas…
Por Andreas Weiser
“No dia em que fui preso ainda navegávamos a cerca de sete milhas de distância de Bertioga, quando os selvagens tomaram o rumo de uma ilha. Eles puxaram as canoas para a terra e depois me arrastaram para fora. Eu não conseguia ver nada de tão machucado que estava meu rosto. Também não conseguia andar por causa da lesão na minha perna; portanto, fiquei caído na areia. Os selvagens me cercaram e indicaram com gestos ameaçadores que pretendiam me devorar.”
Hans Staden é o nome do infeliz tão gravemente ferido, caído em uma praia no litoral brasileiro naquela ensolarada tarde de dezembro de 1553. Ele é um “lansquenê” (do alemão Landsknecht, soldado mercenário alemão). Staden era procedente da região do atual estado de Hesse, na Alemanha, mas estava a serviço dos colonialistas portugueses comandando uma pequena fortificação não muito distante da atual cidade de São Paulo.
Levianamente, ele havia se afastado demais da área protegida pelo forte, caindo nas mãos dos índios tupinambá, que estavam em pé de guerra com os portugueses. Prisioneiros inimigos costumavam ser escravizados pelos índios litorâneos – ou eram devorados. “Quando nos aproximamos da aldeia chamada Ubatuba, vi sete cabanas. Perto da praia na qual eles tinham largado suas canoas havia mulheres trabalhando na roça… Fui forçado a lhes gritar de longe em sua língua Aju ne xe remiurama, que quer dizer: ‘Eu, vossa comida, estou chegando’.”
O lansquenê não estava destinado ao consumo imediato. Os tupinambá o reservariam para ser devorado durante uma festividade. Staden permaneceu em cativeiro durante nove meses. LEIA MAIS…